Da esquerda à direita, Tancos põe ministro da Defesa debaixo de fogo

Não é comum, mas PCP, Bloco de Esquerda, PSD e CDS-PP concordaram. Todos pedem esclarecimentos sobre o que aconteceu em Tancos, com Pedro Passos Coelho a acusar o Governo de "desnorte" na defesa.

Mais de dois meses depois do desaparecimento de material militar dos paióis de Tancos, o ministro da Defesa Nacional levantou este fim de semana a hipótese de não ter sido roubo. A hipótese aumentou as dúvidas sobre o que afinal aconteceu e, da esquerda à direita, levou a muita indignação.

Não é comum, mas PCP, Bloco de Esquerda, PSD e CDS-PP concordaram. Todos pedem esclarecimentos sobre o que aconteceu em Tancos, com Pedro Passos Coelho a acusar o Governo de “desnorte” na defesa. Em entrevista à TSF e ao Diário de Notícias, Azeredo Lopes disse que “no limite, pode não ter havido furto nenhum”.

As declarações foram recebidas com surpresa, levando a oposição a pedir a demissão de Azeredo Lopes. O líder social-democrata, Pedro Passos Coelho afirmou que o PSD tem por “tradição” não pedir a demissão de membros do Governo, mas considerou que há membros que “acusam um desgaste político muito grande”, remetendo para o primeiro-ministro a “competência exclusiva” de decidir sobre uma possível substituição, em declarações à Lusa.

Segundo o social-democrata, o Governo tem evidenciado “um enorme desnorte” na área da defesa e acusou ainda o Executivo de António Costa de manter um “silêncio ensurdecedor e incompreensível”. “Não é uma questão menor, é uma questão de Estado, que tem que ver com as opções que deverão ser feitas ao nível da União Europeia quanto a um processo de cooperação reforçada no domínio da Defesa”, acrescentou.

Da mesma forma, a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, acredita que a postura de Azeredo Lopes “não é admissível” e pediu a demissão do responsável pela pasta da Defesa.

“O senhor ministro da Defesa Nacional mais uma vez veio mostrar que não tem a mínima noção do que é exercer o cargo que ocupa, que não tem estatura para o exercer, vem fazer perguntas, levantar dúvidas, quando aliás coloca a questão de que se calhar nem sequer há um furto. Dúvidas que só depreciam a instituição militar e que o colocam quase como um comum cidadão, como se nada soubesse e nada devesse saber”, disse este domingo.

Dos partidos à esquerda, não houve pedidos de demissão, mas houve críticas. Tanto o PCP como BE querem ouvir Azeredo Lopes no Parlamento. Em entrevista à Antena 1, a bloquista Catarina Martins afirmou que “não podemos ter o Governo a dizer que não sabe se existiu ou não roubo em Tancos”, sublinhando que “os esclarecimentos são essenciais neste momento”

Já o deputado do PCP, António Filipe, defendeu que o ministro vá ao parlamento falar sobre o desaparecimento das armas dos Paióis de Tancos, mas “só se tiverem novidade”, considerando irrelevantes as “suposições” do governante sobre o que aconteceu.

O Bloco de Esquerda (BE) mostrou-se favorável a novos esclarecimentos do ministro da Defesa sobre o desaparecimento de armas dos paióis de Tancos, considerando que o Governo não pode dizer que “não sabe se existiu ou não roubo”.

 Azeredo Lopes fez entretanto saber, através de fonte oficial do gabinete contactada pela agência Lusa, que está disponível para prestar esclarecimentos. “O ministro, tal como os deputados, é membro de um órgão de soberania. Tendo este facto sempre presente, naturalmente que o ministro da Defesa Nacional irá ao parlamento se vier a ser convidado para tal”.

Questionado esta segunda-feira sobre o assunto, o Presidente da República não quis comentar as dúvidas sobre se foi ou não roubo. No entanto, Marcelo Rebelo de Sousa disse esperar “que haja, o mais cedo possível, com a celeridade possível, porque o tempo é importante para o prestígio da instituição e para o próprio funcionamento dos mecanismos internos, o apuramento de factos e de responsabilidades nessa matéria”, citado pela Lusa.





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