Cristas: “Lembro-me vagamente de Passos ter referido que o BES poderia ser um problema”

A dirigente centrista afirma que os temas da banca portuguesa nunca foram discutidos com profundidade em Conselho de Ministros,

Em entrevista ao jornal “Público”, divulgada esta segunda-feira, Assunção Cristas diz que o assunto Banco Espírito Santo (BES), antes da queda da entidade bancária, apenas foi referido em Conselho de Ministros. “Lembro-me vagamente de [Pedro Passos Coelho, então primeiro-ministro] ter referido que o BES poderia ser um problema”.

Questionada sobre a profundidade do debate sobre o tema, a líder do CDS-PP adiantou que “isso nunca aconteceu” e fez referência a mais recordações que tem das discussões: “Recordo-me de uma [o BES] vez ter sido referido a propósito dos doze mil milhões para a banca. Lembram-se, na altura o líder do PS, Seguro, sugeriu que se utilizasse uma parte desse dinheiro para injetar na economia”.

Na mesma ótica, Assunção Cristas enfatizou que quaisquer temas da banca nunca foram discutidos com profundidade em Conselho de Ministros, mas assegura não se recordar detalhadamente, quando confrontada com a mesma questão sobre o Banif ou sobre a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos.

Quanto aos projetos de lei sobre a supervisão bancária, como por exemplo a reunião plenária de interpelação ao Governo por parte dos centristas, que aconteceu na quarta-feira passada, Assunção Cristas frisou que, quer no Governo, quer na oposição, o CDS foi sempre “um partido muitíssimo ativo e na linha da frente do escrutínio”. A deputada justificou o facto de não ter avançado com as propostas de alteração legislativa com a demora das conclusões das comissões de inquérito. “Neste momento, já podemos tomar posições”, garante.

A antiga ministra da Agricultura realçou que discorda absolutamente de uma partidarização dos nomes no Banco de Portugal. “Acho que isso é negativo para as instituições e, certamente, não contará com o CDS nessa matéria”, sublinhou Assunção Cristas. A seu ver, deve reforçar-se o Conselho Nacional de Supervisores Bancários, “dando-lhe uma estrutura rotativa, um orçamento participado pelas várias entidades que fazem parte do sistema, com um secretariado, com um secretário-geral, para garantir uma melhor articulação entre todas as entidades”.



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