Crescimento da construção acelerou em janeiro, para máximos de três anos

Os índice de emprego e das remunerações efectivamente pagas também registaram variações homólogas positivas. O emprego cresceu 2,2% e as remunerações 2,9%.

O ritmo de crescimento homólogo do setor da construção acelerou 0,2 pontos percentuais em janeiro, face a dezembro, para 3%, com o índice de produção na construção a atingir o valor mais elevado em três anos, de acordo com os dados hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A evolução verificada em janeiro é suportada pela aceleração do passo da expansão do segmento de “Construção de Edifícios” em 0,7 pontos percentuais, para 1,9%.

Pelo contrário, o ritmo de crescimento do segmento de “Engenharia Civil” abrandou 0,6 pontos percentuais, para 4,7%, mesmo assim, com o índice a superar o valor mais elevado – de janeiro de 2015 – indicado na série disponibilizada pelo INE.

 

Emprego e remunerações continuam a aumentar

O INE refere, também, que o índice de emprego no setor da construção apresentou uma variação homóloga de 2,2% pelo terceiro mês consecutivo.

Face ao mês anterior, o crescimento do índice de emprego acelerou 0,1 pontos percentuais, para 1,2%, para um valor que representa um máximo desde outubro de 2015.

O índice das remunerações efectivamente pagas registou uma variação homóloga de 2,9%, o que traduz uma aceleração de 1,3 pontos percentuais face ao verificado em dezembro.

Na evolução mensal, regista-se, por outro lado, uma diminuição de 17%, ainda assim um ponto percentual abaixo do ritmo verificado em igual mês de 2017.

 

Anúncios de empreitadas caíram em janeiro

Em janeiro passado, segundo a FEPICOP – Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas, e como o “Jornal Económico” noticiou, verificou-se uma quebra acentuada no montante dos anúncios de empreitadas de obras públicas que se traduziu numa descida de 58%, quando comparados com os números registados no período homólogo.

Para a FEPICOP, este registo veio confirmar a tendência de abrandamento que o mercado revela desde agosto de 2017.

Com a realização de eleições autárquicas no último trimestre de 2017, o crescimento do montante das obras públicas lançadas a concurso intensificou-se logo a partir de janeiro, atingindo um pico máximo em agosto desse ano, num aumento de 91% em termos homólogos, momento a partir do qual abrandou, tendo registado no final de dezembro uma subida de 62%.

Investimento na construção foi motor económico

O investimento na construção foi o principal fator para que a economia portuguesa tivesse registado no ano passado o mais rápido ritmo de crescimento desde 2000. Os dados divulgados pelo INE mostram que o investimento foi o principal contribuinte para a aceleração do crescimento económico e, dentro deste, o destaque vai para a construção, em que o ritmo de expansão foi multiplicado por seis.

O produto interno bruto (PIB) cresceu 2,7% no ano passado, tendo atingido, em termos nominais, os 193 mil milhões de euros. O investimento aumentou 8,4% em termos reais, bastante acima dos 0,8% de 2016. Atingiu os 31 mil milhões de euros no acumulado do ano, sendo que o segundo trimestre foi aquele em que se registou um investimento mais elevado (8 mil milhões de euros), em máximos desde o terceiro trimestre de 2011.

A subida no investimento reflete a aceleração da Formação Bruta em Capital Fixo (FBCF) para uma taxa de variação de 9% (em comparação com 1,5% em 2016). Do lado da componente da Variação de Existências, o contributo foi “ligeiramente negativo para a variação do PIB, à semelhança do verificado em 2016”, de acordo com o INE.

O investimento “em construção foi a componente que mais contribuiu para a evolução da FBCF total em 2017, registando um aumento de 9,2%, após ter diminuído 0,3% em 2016”, explica o relatório.

Quanto aos restantes segmentos, o investimento em maquinaria e equipamentos aumentou 13%, face aos 4,3% do ano anterior. No equipamento de transporte subiu 14,1%, contra os 8,4% em 2016, enquanto em produtos de propriedade intelectual cresceu 0,3%, após uma diminuição de 0,7%, no ano anterior.






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