Cova da Moura: As quatro contradições da PSP identificadas pelo Ministério Público

O jornal 'Diário de Notícias' revela em quatro pontos as incoerências detetadas nos depoimentos dos agentes da PSP, que se arriscam a ser suspensos das suas funções por terem "humilhado e agredido física e psicologicamente" os detidos.

O Ministério Público (MP) identificou várias contradições nas declarações prestadas pelos 18 polícias da Cova da Moura acusados de crimes de violência, ofensas à integridade física e racismo. O jornal ‘Diário de Notícias’ revela em quatro pontos as incoerências detetadas nos depoimentos dos agentes da PSP, que se arriscam a ser suspensos das suas funções por terem “humilhado e agredido física e psicologicamente” os detidos.

O ‘Diário de Notícias’ escreve que o MP considerou completamente inverosímil” a versão do auto da PSP aquando da detenção de Bruno Lopes a 5 de fevereiro de 2015. As autoridades policiais terão registado que Bruno Lopes estava num grupo de “10 indivíduos de raça negra” que atiraram uma pedra a uma carrinha da polícia, quando a investigação do MP, feita dois anos depois ao caso, mostra que o detido não esteve no local descrito pela PSP. Bruno Lopes terá sido intercetado pela polícia “sem que nada o justificasse”, sendo logo alvo de “várias bofetadas e pontapés”, o que contradiz a versão da PSP que fala numa reação “brusca e violenta”.

O auto da polícia diz ainda que “para a manutenção da ordem pública local” foi necessário dar um “tiro para o ar” com a shotgun, “face ao aglomerado de indivíduos de raça negra que arremessavam pedras”. A investigação do MP veio provar que tal não aconteceu da forma como foi contado. Uma residente conta que foi atingida por duas balas de borracha disparadas por um agente diretamente para si e o mesmo guarda terá perseguido uma residente e alvejado-a com uma bala de borracha.

No transporte de Bruno Lopes para a esquadra, a PSP fala que o detido teve “uma postura sempre agressiva e desrespeitosa” tendo proferido várias asneiras e insultado as autoridades. O Ministério Público conta outra versão da história: Bruno Lopes foi atingido ” por bastões na cabeça” e algemado e deitado de frente no chão. “Ao verem o ofendido sangrar e sujar o chão da carrinha diziam-lhe ‘sangue de preto, que nojo'”.

Também no relato da “invasão” da esquadra existem várias contradições. O primeiro ato da polícia dava conta de que entre 20 a 25 pessoas tentaram forçar a entrada na esquadra para libertar Bruno Lopes. O auto foi depois retificado pela PSP para 10 a 15 invasores. O MP concluiu que foi apenas um indivíduo que se dirigiu à esquadra “com o intuito de saber o que se passara com Bruno Lopes”. A investigação do MP mostra que em nenhum momento o indivíduo tentou invadir a esquadra e após a recusa de o deixarem entrar terá voltado para o seu grupo de amigos, sendo depois agredidos e arrastados para dentro da esquadra, onde permaneceram por dois dias.

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