Cortiça portuguesa: a indústria com os dias contados (há 15 anos)

As notícias sobre a morte anunciada da cortiça (sabe-se agora que) foram amplamente exageradas. Depois de um período difícil, a indústria vinhateira retomou o entusiasmo pela cortiça portuguesa e a Corticeira Amorim foi a principal beneficiada.

A sentença de morte foi ditada à indústria da cortiça há mais de dez anos, altura em que os investidores começavam a virar as costas às ações da Corticeira Amorim. O negócio vinhateiro parecia estar a transitar para outros produtos, mas, afinal, a cortiça portuguesa não morreu. Bem pelo contrário. Em entrevista à Reuters, a empresa explica o percurso difícil da última década e o ressurgimento das cinzas do entusiasmo global pela cortiça.

A dominância da cortiça foi ameaçada por produtos mais baratos, como o plástico. O preço era mais apelativo e a cortiça era acusada de dar um sabor a bolor ao vinho. “Se recuarmos 12, 15 anos, as previsões para a cortiça eram tudo menos otimistas”, explica o diretor de marketing da Corticeira Amorim, Carlos de Jesus, à Reuters.

“Onde estamos hoje é um território completamente diferente de onde a maioria das pessoas pensou que estaríamos”. Em 15 anos, as ações da empresa valorizaram quase seis vezes e as exportações de cortiça de Portugal para o mundo recuperaram para níveis de há mais de uma década.

Rolhas de plásticos ou alumínio para garrafas de vinho, produzidas em países como a Austrália ou Chile, conseguiram um lugar de destaque no mercado, mas não ameaçaram a cortiça. Uma das principais razões foi o investimento em investigação para eliminar o problema de fungos na cortiça que causava o desenvolvimento de bolor.

Alguns produtores desistiram, por isso, de procurar outras opções e a cortiça aumentou a sua quota de mercado para 60% nos EUA, o maior consumidor de vinho do mundo. Segundo a Corticeira Amorim, este mercado representa cerca de 1,3 mil milhões de dólares por ano.

A ameaça parece, agora, menor e a tendência na indústria é de regresso ao entusiasmo em relação à cortiça, como explicou à Reuters o porta-voz do maior produtor de vinho na China, o ASC Fine Wines. “É uma tradição. Representa prestígio”, disse Matthew Gong. “Cada vez mais consumidores não se importam se a rolha é cortiça ou plástico, mas em vinhos de topo, a cortiça é claramente preferida”.

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