Coreia do Norte: Quatro “Nãos” opõem China e Rússia aos EUA

Pequim e Moscovo trabalharam para que o Conselho de Segurança da ONU aprovasse sanções menos agressivas à Coreia do Norte, um claro sinal de que não tolerarão uma tentativa de derrube do regime de Kim Jong Un.

KCNA/via REUTERS

Foram aprovadas na passada segunda-feira novas sanções à Coreia do Norte, no seguimento da prossecução do seu programa nuclear e de mísseis balísticos. As novas medidas, aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU, reduzem em cerca de 55% as importações de produtos petrolíferos refinados, banem as exportações de têxteis e aumentam as inspeções aos navios de carga suspeitos de transportar materiais ilegais. No entanto, e ao contrário do que havia sido anunciado, as sanções aprovadas não incluem um embargo petrolífero, nem o congelamento dos bens de Kim Jong Un.

Além de terem contribuído para uma diminuição das sanções, os representantes da Rússia e da China na ONU não receberam bem a declaração norte-americana de que os EUA “agiriam sozinhos” caso o regime de Pyongyang não parasse de testar bombas e mísseis. Ambos os embaixadores reiteraram aquilo a que eles chamam os “quatro nãos”: Não à mudança de regime; Não ao colapso do regime; Não à reunificação acelerada; e Não à colocação de tropas a norte do Paralelo 38.

Citado pela Bloomberg, Geng Shuang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou em comunicado que “a China nunca permitirá o espoletar de um conflito armado na península”. Estes comentários, no seguimento da aprovação destas sanções, revela que ambos os países têm algumas reservas acerca da pressão a aplicar ao regime norte-coreano para que abandone as suas tentativas de alcançar poderio militar para atingir os EUA com uma arma nuclear.

A razão parece ser o entendimento de ambas as nações de que a Coreia do Norte não desistirá do seu programa nuclear sem que lhe sejam dadas alternativas de segurança, algo que Putin já havia espelhado numa conferência de imprensa no início deste mês realizada em Xiamen, na China. “Qualquer tipo de sanção será inútil. Eles [os norte-coreanos] podem até comer apenas relva, mas nunca abandonarão o seu programa [nuclear] sem se sentirem seguros”, afirmou, à data, o presidente russo.





Mais notícias