Contratações e salários de advogados em alta

O mercado de Tax & Legal vai continuar a contratar e a pagar bons salários em 2018, sobretudo as grandes empresas e as sociedades de advogados.

Com o salário anual de um Diretor Jurídico de uma grande empresa, em Lisboa, a poder atingir os 160 mil euros, ou o de um Tax Manager os 100 mil, o seleto mercado de Tax & Legal é um dos que melhor paga. Mas há diferenças e grandes.

Um estudo de tendências de mercado da Michael Page a que o Jornal Económico teve acesso constata desigualdades entre Lisboa e Porto. Na capital praticam-se salários mais altos do que na Invicta. Contudo, nesta última, os salários mais baixos são menos baixos do que em Lisboa. Conclusão: na capital é maior a diferença entre os valores mínimos e máximos pagos, quer por sociedades de advogados de pequena dimensão, quer por sociedades de grande dimensão ou boutiques especializadas.

Porquê? “Em Lisboa há muito mais mercado e um mercado muito mais concorrencial”, explica João Maciel, responsável pela área de Tax & Legal da Michael Page, justificando: “O facto de ser um mercado mais competitivo faz subir os valores nos perfis mais robustos, mas a existência de uma grande oferta nos restantes segmentos, permite às empresas/sociedades praticar remunerações mais baixas.”

A área de Tax & Legal da consultora de recrutamento Michael Page tem este ano o melhor desempenho de sempre. “Face a 2016, em 2017 tivemos um aumento de faturação de 21% no recrutamento de perfis na área de Tax & Legal”, revela. Por outro lado, os pedidos de clientes para integrações no primeiro trimestre do próximo ano permitem garantir, com relativa calma, que o negócio deverá manter o registo ou até subi-lo e que as contratações vão continuar a agitar o mercado.

Em 2017, algumas especializações tiveram particular protagonismo. “A área de imobiliário foi claramente a que mais cresceu. Existiu, e ainda existe, uma enorme procura de advogados especializados na vertente transacional de Direito Imobiliário, sendo a procura superior à oferta”, diz.

As áreas de Direito Imobiliário, Corporate/M&A, Bancário e Financeiro, Direito Laboral, Contencioso e Direito Público estiveram igualmente em alta. Já os perfis mais procurados em 2017 foram advogados recém-agregados ou com experiência pós agregação até cinco/seis anos. Nas consultoras, à posição de senior consultant, muito procurada nos anos anteriores e que continua a ser escassa, juntam-se, este ano, as posições de manager / senior manager.

Segundo João Maciel, muitos advogados ou consultores fiscais pretendem, a curto e médio prazo, passar para uma posição in-house. Há razões. “Existe a ideia de que é mais fácil conciliar a vida pessoal e profissional numa empresa do que numa sociedade de advogados ou numa consultora”, explica. Por outro lado, acrescenta, há um certo desencanto com a profissão derivado dos objetivos impostos pelas sociedades de horas faturadas e pressão para captação de clientes. E em terceiro, complementa, porque, “a perspetiva futura numa sociedade de advogados ou numa consultora é chegar a partner”. Isso obriga a associar a vertente técnica à de business developer, um skill que nem todos os advogados têm ou que pretendem desenvolver.

A questão é se há lugar para todos os que ambicionam essa mudança. João Maciel diz que não há. Em traços gerais, este mercado é menor e a maior parte dessas posições já estão ocupadas, sendo a rotatividade bastante reduzida.

Artigo publicado na edição digital do Jornal Económico. Assine aqui para ter acesso aos nossos conteúdos em primeira mão.




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