Conselho a um qualquer irrevogável ‘take over’ ao Correio da Manhã

A notícia de que capital angolano poderá estar interessado na compra da Cofina (haja ou não algum intermediário irrevogável a trabalhar o processo) não me surpreende. Há muito que penso que um dia, esgotada que fosse a paciência nos meandros dos inocentes que são perseguidos pela investigação do MP, e provada a inutilidade de todos os comentadores úteis que se distinguem pela sanha ao Correio da Manhã (sempre em nome da Democracia e dos direitos das pessoas, pois claro), algum "take over" acabaria por ser tentado em último recurso.

Neste País pequeno, tão carente em capacidade de análise estratégica, haveria sempre de aparecer um inteligente, no sentido dado por Ary dos Santos na ‘Tourada’ interpretada por Fernando Tordo, que propusesse a estratégia: comprar para calar.

Não quero ser desmancha-prazeres, mas não cobro nada por um conselho a qualquer eventual potencial comprador. Pensem lá um pouco, que não faz mal nenhum: há melhores maneiras de queimar dinheiro se o plano passar por mudar a linha editorial do jornal mais vendido no tal País que há dias era consagrado como o quinto mais corrupto do mundo. O “Correio da Manhã” (porque o resto da Cofina são amendoins) apenas vale pela personalidade que tem aos olhos dos leitores. No dia em que alguém mudar o rumo editorial do jornal, o modelo de negócio desaparecerá mais depressa que a coluna vertebral de alguns jornalistas nas folhas do regime.

Se for para isso, desistam. Vão perder dinheiro e também perderão tempo.

A informação que está agora nas páginas do CM (às vezes gerida sem tino nem critérios éticos, também é verdade) seria bem acolhida noutras marcas noticiosas. Ou seja, a festa entre as famílias dos poderosos que enxameiam hoje os tribunais portugueses duraria pouco. Não sei se os ‘investidores’ tem todos consciência disso. E tanto dinheiro assim para atirar fora.




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