Confrontos com supremacistas brancos nos EUA fazem uma vítima mortal

No estado norte-americano da Virgínia, o dia de ontem foi de manifestação da extrema-direita, a maior dos últimos anos naquele país. O resultado foi uma vítima mortal.

Charlottesville, no Estado da Virgínia, EUA, foi o local escolhido para uma das maiores manifestações por parte da extrema-direita norte-americana, convocada pelo partido neonazi e outros grupos de extrema-direita para mostrar o seu descontentamento com a decisão de a cidade retirar de um parque uma estátua de Robert E. Lee, o líder do movimento secessionista que haveria de levar à guerra civil norte-americana no século XIX.

Centenas de jovens brancos, com proteções, armas de estilo militar e sprays químicos participaram na manifestação, marchando para o centro da cidade, onde encontraram contramanifestantes, daqui resultando vários confrontos, o que levou o Governador do Estado, Terry McAuliffe, a declarar os Estado de Emergência na cidade, cancelando, assim, a manifestação.

No entanto, cerca de duas horas depois de a manifestação ter sido cancelada, um carro atropelou um grupo de contramanifestantes, deixando um morto e seis feridos. O condutor foi preso, adianta o Financial Times, e identificado como James Alex Fields Jr, de 20 anos, oriundo do Ohio.

À imprensa, a partir do seu clube de Golfe de Nova Jersey, Donald Trump pediu calma: “Condenamos, da forma mais veemente possível estas demonstrações de ódio, intolerância e violência de todas as partes.” “Isto já dura há muito tempo no nosso país. Não é Donald Trump, não é Barack Obama. Isto já dura há muito, muito tempo. [Esta violência] não tem lugar na América. Agora, o que é vital é a rápida restauração da lei e da ordem e a proteção de vidas inocentes”, afirmou Trump.

Mas o pedido do presidente não esconde a relação de proximidade que Trump permitiu aos grupos nacionalistas durante a sua campanha presidencial. Exemplo são as declarações à imprensa de David Duke, ex-líder do Klu Klux Klan, presente na manifestação do passado sábado. “Vamos recuperar o nosso país. Vamos cumprir a promessa de Donald Trump. É nisso que acreditamos. Foi por isso que votámos em Trump, porque ele disse que ia recuperar o nosso país”.

Michael Signer, mayor de Charlottesville, considera o presidente responsável pela violência de sábado, adianta o Financial Times: “Coloco a culpa de grande parte do que se está a ver atualmente na América à porta da Casa Branca e das pessoas que rodeiam o presidente.”

A primeira pessoa da Casa Branca a expressar-se sobre o sucedido foi, surpreendentemente, a primeira-dama, Melania Trump. “Não comuniquemos com ódio no coração. Nada de bom vem da violência”, disse no Twitter, usando a hashtag #Charlottesville.

O presidente demorou mais algumas horas até se pronunciar, também no Twitter, condenando a violência “de todas as partes”, o que não ajudou a acalmar os ânimos, como se pode ver pelas respostas recebidas.

 





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