Vale a pena investir nos novos Certificados de Tesouro Poupança Crescimento?

O Tesouro lançou um novo produto de investimento para as famílias, que substitui os Certificados de Tesouro Poupança Mais. A subscrição começa esta segunda-feira, mas poderão não ser boa ideia. Veja aqui tudo o que tem de saber perceber os novos certificados.

1. O que são os Certificados de Tesouro Poupança Crescimento?

Os Certificados de Tesouro Poupança Crescimento (CTPC) são um novo produto de poupança do Estado, semelhante aos Certificados do Tesouro Poupança Mais (cujo período de novas subscrições terminou no domingo). Os CTPC podem ser adquiridos a partir desta segunda-feira, têm uma remuneração alinhada com as taxas de juro da República e o prémio está associado ao crescimento do país.

2. Quais são as condições de subscrição?

Os CTPC são emitidos por prazos de sete anos e amortizados na respetiva data de vencimento ou antecipadamente, ao valor nominal. O valor nominal de cada unidade é de um euro, o mínimo de subscrição é de mil unidades e o máximo por conta de tesouro um milhões de unidades.

Cada subscrição vence juros com uma periodicidade anual (sem capitalização de juros) e o resgate só é possível um ano após a data-valor da subscrição. Decorrido o primeiro ano, poderão ser efetuados resgates, a todo o tempo, acarretando a perda total dos juros decorridos desde o último vencimento de juros até à data de resgate.

3. Quais são as taxas de juro dos novos certificados?

As taxas de juro fixadas para as subscrições a realizar a partir desta segunda-feira têm o seguinte perfil de remuneração bruta:

  • 1.º ano: 0,75%;
  • 2.º ano: 0,75%;
  • 3.º ano:  1,05%;
  • 4.º ano: 1,35%;
  • 5.º ano: 1,65%;
  • 6.º ano: 1,95%;
  • 7.º ano: 2,25%

4. O que é o prémio?

A taxa de juro a partir do segundo ano é acrescida de um prémio, correspondente a 40% do crescimento médio real do produto interno bruto (PIB) a preços de mercado nos últimos quatro trimestres conhecidos no mês anterior à data de pagamento de juros. O prémio apenas tem lugar no caso do crescimento médio real do PIB ser positivo e fica limitado a um máximo de 1,2% em cada ano, equivalente a 40% de um crescimento médio real do PIB de 3%.

5. Compensa investir?

“Os novos Certificados de Tesouro Poupança Crescimento trazem o prémio oferecido pelo crescimento do PIB logo a partir do segundo ano, mas a forma de cálculo é mais desfavorável e é acompanhada por uma redução muito acentuada das taxas base face aos Certificados do Tesouro Poupança Mais”, explicam os economistas da DECO Proteste.

Segundo as contas da associação, no final do prazo de sete anos, a taxa anual efetiva líquida (TAEL) é de apenas 1%, em comparação com os 1,6% garantidos no final de cinco anos com os extintos CTPM.

Entre as restantes opções oferecidas pelo Estado, há ainda os Certificados de Aforro (cuja remuneração para novas aplicações era em setembro de 0,48% líquidos). A taxa de juro oferecida pelas Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV) têm descido a cada nova emissão, sendo que na última (em julho) foi de 1,6%.


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