Companhia das Lezírias exporta 30% dos vinhos

No ano em que a empresa agrícola pública registou os melhores resultados de sempre, a área dos vinhos também esteve em crescimento. Com novas gamas e referências e mais vendas no exterior.

A Companhia das Lezírias (CL) já está a exportar cerca de 30% dos seus vinhos engarrafados, disse ao Jornal Económico João Caldeira, administrador desta empresa agrícola pública. No ano passado, a CL atingiu uma produção de cerca de 500 mil garrafas de vinho, o que quer dizer que foram vendidas para os mercados externos cerca de 150 mil garafas.

“Os mercados externos mais importantes para nós nos últimos anos têm sido os Estados Unidos, a Finlândia e o Luxemburgo”, revelou João Caldeira ao Jornal Económico.

A CL produz toda a gama de vinho: tintos, brancos, rosés, espumantes e colheita tardia. Inserida na região vitivinícola do Tejo, fazendo fronteira com a região da Península de Setúbal (Palmela), a maior empresa agrícola do país produz três marcas de vinhos: Herdade de Catapereiro, Tyto alba e 1836.

“Depois de uma reestruturação, organizámos a produção de vinhos da Companhia das Lezírias em três gamas. AHerdade de Catapereiro, que tem produção de vinhas e olival; a Tyto alba, que são vinhos mais ecológicos e que é uma marca com mais força em termos de divulgação; e há pouco tempo lançámos uma terceira marca de vinho, a 1836, ano da fundação da Companhia, de vinhas velhas, de pequena produção e direcionada para o segmento premium”, explicou ao Jornal Económico, o enólogo da CL, Bernardo Cabral.

Todos estes vinhos têm ganho diversos prémios, nacionais e internacionais, incluindo ao nível do design, com destaque para o Tyto alba, nome científico da coruja das torres, porque é nos vastos terrenos da CL que se encontra a maior densidade detetada na Europa de uma população residente deste tipo de aves.

Para o administrador da CL, este é um exemplo da aliança entre os dois produtos menos conhecidos, mas cada vez mais relevantes, na atividade da Companhia das Lezírias: a produção de conhecimento científico e a proteção do ativo ambiental.
“A produção de conhecimento é conseguida através da investigação científica que promovemos e desenvolvemos, na relação próxima que mantemos com universidades (Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Évora, por exdemplo). Estamos envolvidos e somos objecto de muitos doutoramentos todos os anos. É um produto nosso menos conhecido, mas cada vez mais importante para nós”, destaca João Caldeira.

Para este responsável, outro produto muito importante da CL é o ativo ambiental. “Estamos implantados numa área que é mais de duas vezes a área do concelho de Lisboa, com mais de 18 mil hectares de área, representamos uma das maiores proteções naturais do estuário do Tejo e da área metropolitana de Lisboa, do aquífero da margem esquerda. E estamos a fazer uma protecção rigorosa e uma agricultra sustentável e responsável. Estamos a proteger os diversos habitats”, garante João Caldeira.
O administrador dá vários exemplos: a CL tem a maior zona de montado de sobreiro no Mundo pertencente ao mesmo proprietário; gere cerca de 12 mil hectares de charneca, em que vive um conjunto alargado de espécies animais (aves, mamíferos) e vegetais; e é cruzada por mais de 120 mil aves das várias espécies nas suas deslocações para norte e para sul todos os anos.

“Por isso é já um dos centros mais importantes de birdwatching a nível internacional. No nosso centro EVOA, em que existe um espaço de visitação e de observação de aves e um centro de interpretação, já recebemos mais de 10 mil visitantes por ano”, realça. Por seu turno, o restaurante da CL recebe mais de 50 mil visitantes por ano e a adega, que foi alvo de uma remodelação recente, mais de sete mil.

Além dos vinhos, do conhecimento científico e da proteção dos ativos ambientais, a Companhia das Lezírias produz ainda, entre outros produtos, azeite, carne de bovino, cortiça, madeira de pinho, arroz, milho, além de garantir a exploração de duas coudelarias, a própria e a de Alter, cuja gestão lhe foi atribuída em 2016.

Melhor ano de sempre em 2016
No ano passado, a CL registou o melhor exercício de sempre, com o recorde de vendas a fixar-se em 6,6 milhões de euros, mais 16,6% que no ano precedente. Os resultados líquidos da empresa ainda registaram uma evolução mais positiva, tendo crescido 59%, para cerca de 2,1 milhões de euros. A empresa, detida a 100% pela holding estatal Parpública, também alcançou os melhores resultados operacionais de sempre no ano passado, na casa dos 2,7 milhões de euros, após uma subida de 63% em comparação com 2015.

“O resultado da gestão dos recursos florestais assim como as melhorias significativas nos resultados das áreas pecuária e agrícola, que registaram novos máximos, foram e têm sido as razões do desempenho cada vez mais positivo”, sublinhou António Pimentel Saraiva, presidente do conseho de administração da Companhia das Lezírias, no comunicado sobre os resultados da empresa em 2016, a que o Jornal Económico teve acesso.



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