Cavaco despede-se com farpas à esquerda e à direita

Ex-Presidente da República apresenta livro com casa cheia no seu CCB. Fica prometido um próximo volume de “prestação de contas”.

Aníbal Cavaco Silva começou a despedir-se da política deixando farpas à esquerda e à direita. Primeiro, à esquerda: “A verdade é que não existe na Europa, nem tão pouco no mundo, qualquer país que seja desenvolvido e que registe um caminho de sucesso tendo partidos da extrema-esquerda a determinar a condução da política económica”. Depois, à direita, de forma mais subtil, ao seu sucessor na Presidência da República, quando diz que “sempre recusou a política-espetáculo, tão cara a muitos políticos, por proporcionar notícias e fotografias, mas que não traz qualquer benefício ao país”.

Estas são partes do livro “Quinta-feira e outros dias”, apresentado ao final a tarde de quinta-feira numa sala esgotada do Centro Cultural de Belém, obra emblemática da década de Cavaco Silva como primeiro-ministro. O discurso de ocasião foi mais sereno, menos político, ou pós-político, como o próprio definiu. Sublinhou agradecimentos, a Braga da Cruz, que apresentou o livro e apontou passagens das quase 600 páginas da obra, à sua mulher e aos portugueses.

A primeira etapa do que Cavaco Silva considera um ato de prestação e contas aos portugueses contou, na assistência, com o ex-Presidente da República António Ramalho Eanes e a mulher, o ex-primeiro-ministro e líder da oposição Pedro Passos Coelho, a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas. Maria Luís Albuquerque (PSD) e Adolfo Mesquita Nunes (CDS) também marcaram presença, assim como o ex-ministro António Pires de Lima, a presidente da Fundação Champalimaud Leonor Beleza e Nunes Liberato, ex-chefe da Casa Civil. Teresa Morais, Teresa Leal Coelho, Fernando Negrão, Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix também estiveram presentes.

“Sempre prestei contas dos cargos públicos que exerci”, disse, acrescentando eu espera que os portugueses “tenham um juízo objectivo e esclarecido sob a forma como exerci a defesa do supremo interesse nacional”. Mesmo que pós-político, este ainda não é o último capítulo da intervenção pública de um político que esteve, por junto, três décadas no poder. Porque ficou a promessa, nas últimas páginas do livro, de um próximo volume.

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