Catarina Martins acusa Altice de fraude e pede intervenção do Governo

Líder do Bloco de Esquerda acusou a empresa francesa de fraude e de contornar a lei para conseguir despedir três mil trabalhadores. Governo tem de "utilizar todos os meios ao seu dispor" para o impedir, defendeu Catarina Martins.

A líder do Bloco de Esquerda (BE) teceu críticas à empresa francesa Altice, apoiando o Governo nas acusações feitas esta semana. Catarina Martins acusou a telecom de fraude e querer dobrar a lei para conseguir despedir três mil trabalhadores, esta quinta-feira à noite, numa conferência em Coimbra.

“O Governo disse, e bem, que a empresa não podia despedir utilizando a figura do despedimento coletivo, mas a Altice quer despedir os mesmos trabalhadores utilizando os mais variados subterfúgios legais”, afirmou a bloquista, citada pela Lusa, na conferência/debate “Mais Justiça. Mais democracia. O Bloco de Esquerda e a situação política atual”.

A deputada afirmou que a Altice está a externalizar parte dos serviços e a transferir trabalhadores para outras empresas, algumas do mesmo grupo. Segundo a coordenadora do BE acredita que estes são mecanismos para contornar a lei e despedir trabalhadores e defendeu que o Governo tem de “utilizar todos os meios ao seu dispor” para o impedir.

“Como é que a Altice está a usar a figura de transmissão de estabelecimento, que acontece quando uma empresa está em dificuldades e é comprada por outra, e é a mesma que pediu uma licença bancária para operar como banco em Portugal”, interrogou. “Como é a Altice que tem de partir parte da sua empresa, como se não tivesse capacidade para a manter, é a mesma que tem capacidade para agora querer uma licença bancária”.

“A isto chama-se fraude, chama-se dobrar a lei”, continuou. “A Altice não pode utilizar estratagemas legais para despedir ilegalmente. Se o Governo recusou o despedimento coletivo utilizando a forma legalmente prevista para esse efeito, tem agora também de usar todos os meios ao seu dispor para recusar que esse despedimento seja feito por meios legais que nem sequer podem ser utilizados”.

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