Catalunha tinha plano de defesa preparado para eventual ataque militar de Madrid

O executivo de Carles Puigdemont estaria a preparar um exército com 22 mil soldados catalães, que assegurariam que a região não teria o mesmo destino que a Crimeia na Ucrânia.

A Generalitat (Governo regional) da Catalunha, agora deposta, estava a preparar um plano para, depois de declaração da sua independência de Espanha, se defender de possíveis ataques armados vindos de Madrid. O executivo de Carles Puigdemont estaria a preparar um exército com 22 mil soldados catalães, que assegurariam que a região não teria o mesmo destino que a Crimeia na Ucrânia.

Um relatório elaborado pelo ex-secretário das Finanças catalão, Josep Lluís Salvadó, e agora confiscado pela Guarda Civil espanhola, para a necessidade de a região criar um exército para garantir a capacidade de defesa catalã, perante a eventualidade de um ataque. “A república deve dar resposta a ameaças, como é o caso dos conflitos armados, que podem pôr em causa a defesa do espaço marítimo e a proteção de infraestruturas críticas”, defendeu.

“[Eventuais ataques] são pouco prováveis, mas nunca se deve descartar completamente essa possibilidade, como vimos pelo aumento repentino da atividade militar numa região pacífica desde o ano 1945, como a fronteira entre a Rússia e a Ucrânia”, escreveu Josep Lluís Salvadó no relatório.

As autoridades espanholas estão agora a analisar o alcance deste plano, numa altura em que vão surgindo novas revelações confidenciais sobre os preparativos da Catalunha para a criação de um Estado independente. Entre as novas informações reveladas estão as intenções dos catalães em se manterem a moeda única e em entrar para a Associação Europeia de Comércio Livre, em que participam a Noruega, a Suíça, a Islândia e o Liechtenstein.

“O euro continuará a ser a moeda oficial da Catalunha, em qualquer dos cenários, por dois motivos muito simples: primeiro, porque pode ser adotado unilateralmente e sem necessidade de acordo, como o Montenegro e o Kosovo fizeram; e segundo, porque a transição para um novo sistema monetário seria uma alternativa muito cara para a economia catalã”, pode ler-se num dos relatórios catalães apreendidos.



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