Catalunha mobiliza “escudo humano” para impedir controlo de Madrid

O chefe do Governo da Catalunha, Carles Puigdemont, assegura que os catalães vão resistir "de forma pacífica" ao "ataque à democracia" que o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, está a impor.

Juan Medina/Reuters

Os separatistas catalães estão mobilizar um “escudo humano” para impedir que as autoridades espanholas assumam o controlo da região, depois de o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, ter ativado o artigo 155 da Constituição espanhola. Os catalães exigem que os resultados do referendo de 1 de outubro sejam reconhecidos e acusam Mariano Rajoy de “golpe de Estado”.

Os líderes dos principais grupos a favor da independência na Catalunha estão a juntar-se para participar numa manifestação contra a suspensão da autonomia catalã ao abrigo do artigo 155 da Constituição espanhola. Os grupos devem concentrar-se em torno da sede do Governo regional no bairro gótico de Barcelona e do edifício do Parlamento, sendo esperado um agravar da tensão entre Madrid e a Catalunha.

“Estamos a pedir a defesa pacífica e democrática das instituições catalãs”, afirmou Lluis Corominas, líder do principal grupo separatista no Parlamento da Catalunha, Juntos Pelo Sim (JxSí), admitindo que tal não será fácil.

O Parlamento regional catalão vai reunir-se na próxima quinta-feira em sessão plenária para discutir a declaração unilateral de independência. A reunião acontece no mesmo dia em que terminam as discussões em Madrid do processo de ativação do mecanismo para aplicar o artigo 155 da Constituição espanhola. Na sexta-feira às 10h00 será o debate no Senado seguido de votação para autorizar o Executivo de Mariano Rajoy a aplicar o nunca antes usado artigo 155 e a adotar “as medidas necessárias” para repor a legalidade na região.

As medidas aprovadas no Senado terão uma duração máxima de seis meses. O fim da aplicação do artigo 155 coincidirá com a realização de eleições autonómicas na Catalunha. Ainda assim, o Governo de Espanha diz estar disposto a abrir mão do artigo 155 da Constituição, caso o presidente da Generalitat (Governo regional) convoque eleições autonómicas antecipadas na região.

O chefe do Governo da Catalunha, Carles Puigdemont, assegurou no sábado, que os catalães vão resistir “de forma pacífica” ao “ataque à democracia” que Mariano Rajoy está a impor. Carles Puigdemont arrisca-se a enfrentaria até 30 anos de prisão caso venha a declarar a independência da região. O governante deixará de ter qualquer poder de decisão assim que Madrid assumir o controlo da Catalunha e as instituições-chave passam a estar sob tutela de Madrid.





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