Cápsula do tempo: Omar Khayyam, um modernista fora do tempo

Poeta, pensador, matemático e astrónomo, nascido na Pérsia, redescoberto no século XIX, é um dos principais autores do Islão.

No dia 18 de Maio de 1048 nascia (ou assim lhe está historicamente atribuído) em Nixapur, na Pérsia, uma das personagens mais extraordinárias das letras de todos os tempos: Omar Khayyam. Poeta, pensador, matemático e astrónomo, deixou uma obra muito importante nas ciências, mas será talvez nas letras que o persa mais se terá destacado. Autor da obra Rubaiyat, (que quer dizer quadras ou quartetos e de que existe uma muito rara e cobiçada edição em português, da editora Livros do Brasil), foi um percursor em vários capítulos do pensamento.

Muito pouco alinhado com a religião muçulmana oficial, Omar Khayyam também não encaixava em nenhuma outra. Defensor entusiasmado do livre pensamento e do livre arbítrio, o autor persa parece ser uma espécie de percursor do agnosticismo – que nos escritos que deixou (e que apenas foram recuperados no século XIX) surge veladamente, de forma nunca explícita, mas como uma espécie de segunda leitura. Segundo consta – a biografia de Khayyam apresenta vários períodos incertos) – teve vários problemas políticos por causa da sua postura pouco dada a deixar aos deuses a capacidade de serem o princípio e o fim de todas as coisas.

A melhor pista para descobrir a personalidade de Omar Khayyam continua a ser o livro ‘Samarcanda’ de Amin Maalouf, onde o escrito de origem libanesa que traça o perfil de permanente insatisfação, de colocação permanente de questões, de todas as questões sobre todos os temas. De algum modo, esta espécie de revolução individual fora do tempo mas lançando um tempo que só viria muito mais tarde, sucedeu também no ocidente, estranhamente ao mesmo tempo, na figura do francês Pierre Abelardo (nascido em 1079).



Mais notícias