Cápsula do tempo: O Papa que desertou do exército

Joseph Ratzinger participou na Segunda Guerra Mundial mas nunca disparou um tiro. Foi nomeado arcebispo de Munique e a sua influência cresceu no seio da igreja Católica.

Nasceu a 16 de Abril de 1927, na pequena localidade de Marktl am inn, a sul da Baviera, e a data coincidiu com o Sábado de Aleluia (véspera de Páscoa). Para reforçar ainda mais as ligações ao catolicismo, os pais chamavam-se José e Maria, os mesmos de Jesus Cristo. Profundamente religiosos, foram os primeiros a influenciar Ratzinger na sua decisão de ser padre.

Um caminho que passou por fases atribuladas, principalmente durante a infância e juventude. O pai, um oficial da polícia, era frequentemente destacado para prestar serviço noutras cidades e a família acompanhava-o sempre. Aos dois anos, o Ratzinger deixou a terra onde nasceu para viver em Tittmoning, uma cidade perto da fronteira com a Áustria. Estiveram lá três anos, até que o pai, em 1932, decidiu criticar fortemente o partido nazi, de Adolf Hitler, em grande ascensão na Alemanha.

Joseph Ratzinger participou nos meses finais da II Guerra Mundial. Integrou uma unidade anti-aérea alemã mas conseguiu desertar do exército sem ser punido com a pena de morte.

Após a guerra, a influência de Ratzinger no seio da igreja católica cresceu a olhos vistos. Nomeado arcebispo de Munique, em Março de 1977, foi elevado a cardeal em junho desse mesmo ano pelo Papa Paulo VI. Pouco tempo depois, João Paulo II sucedeu-lhe no Vaticano e Ratzinger ainda foi a tempo de participar no Conclave.

A 19 de abril de 2005, o cardeal Ratzinger é eleito Papa, com o nome Bento XVI, sucedendo a João Paulo II. Em fevereiro de 2013 renunciou ao papado, tornando-se no primeiro a abdicar do posto desde Gregório XII em 1415. Foi sucedido pelo argentino Jorge Mário Bertolglio, que escolheu o nome Francisco.