Caixa com prejuízos de 39 milhões de euros no trimestre

Custos não recorrentes para pré-reformas e rescisões por mútuo acordo de 58 milhões de euros (42,1 milhões de euros líquido de impostos) penalizam resultados.

Cristina Bernardo

O resultado líquido do trimestre da Caixa Geral de Depósitos foi negativo, de -38,6 milhões de euros, impactado por custos não recorrentes de 58 milhões de euros (42,1 milhões de euros líquido de impostos). No ano passado na mesma altura a CGD tinha tido perdas de 74 milhões.

“Os custos operativos, não obstante a redução registada nas suas componentes de fornecimento e serviços de terceiros e amortizações, apresentaram um aumento de 16%, traduzindo o impacto dos custos com pessoal não recorrente, no montante de 58 milhões de euros (42,1 milhões de euros líquidos de impostos), respeitante ao provisionamento do programa de pré-reforma e de rescisões por mútuo acordo”, diz o banco.

“Excluindo aquele impacto, os custos operativos teriam diminuído 3,5%, conduzindo a uma redução do rácio de cost to income no trimestre para 58,2%”, explica o banco liderado por Paulo Macedo.

Diz a CGD que o resultado líquido recorrente atingiu 3,5 milhões de euros.

A margem financeira atingiu 326,1 milhões de euros (+50,8 milhões de euros, +18,4% face ao 1º trimestre de 2016), beneficiando da forte redução sentida no custo de funding (-114,4 milhões de euros, 28,3%). Isto é, na redução dos juros dos depósitos.

As comissões líquidas apresentaram no mesmo período uma redução de 3,7% para 108,7 milhões de euros.

No que toca ao resultado obtido em operações financeiras o banco, durante o primeiro trimestre, atingiu 80,7 milhões de euros, valor que compara com os -98 milhões de euros verificados no trimestre homólogo do ano anterior. “Este montante reflete essencialmente os ganhos decorrentes da evolução das taxas de juro em mercado e de uma adequada gestão dos instrumentos de cobertura do risco de taxa de juro da carteira de títulos”, diz o banco.

Os resultados positivos em operações financeiras, devem-se a ganhos de cobertura de risco de taxas de juro.  “Os instrumentos em causa são swaps de taxas de juro que pretendem proteger para os riscos de queda de taxa de juro”, explicou depois Paulo Macedo.

O produto bancário progrediu face ao trimestre homólogo 65,2%, (+193,2 milhões de euros), situando-se em 489,6 milhões de euros, com contributos positivos da margem financeira (+50,8 milhões de euros) e dos resultados em operações financeiras (+178,9 milhões de euros).

No que se refere à actividade em Portugal no 1º trimestre de 2017 o contributo da atividade doméstica para o resultado líquido do Grupo CGD atingiu -88,3 milhões de euros, que compara com -114,2 milhões de euros no período homólogo do ano anterior. De destacar a evolução favorável da margem financeira alargada (+21,5%) e dos resultados em operações financeiras.

O contributo da área de negócio internacional para o resultado líquido consolidado do Grupo alcançou no 1º trimestre deste ano 49,6 milhões de euros (+24,3% do que em igual período do ano anterior).

Os maiores contribuidores foram o BNU Macau (15,6 milhões de euros), a Sucursal de França (13,5 milhões de euros), o BCG Angola (7,2 milhões de euros) e o BCG Espanha (4,9 milhões de euros).

A CGD concluiu no 1º trimestre de 2017, as fases 1 e 2 do Plano de Recapitalização acordado entre o Estado Português e a Comissão Europeia (DG Comp), avança o banco liderado por Paulo Macedo.

A concretização deste plano, que resultou num reforço de capital de 4,4 mil milhões de euros, permitiu à CGD um substancial aumento dos seus rácios de capital que atingiram em 31 de março de 2017 12,3% (CET1, phased-in) e 14,2% (rácio total).

O resultado de exploração core alcançou 147,4 milhões de euros no trimestre, uma subida de 63,1% face ao trimestre homólogo de 2016, impulsionado pelo crescimento da margem financeira e pela redução verificada nos custos operativos recorrentes.

Em termos de qualidade dos ativos a CGD evoluiu positivamente no 1º trimestre de 2017, com os valores de crédito em risco (NPE – Non performing exposure, definição EBA) e crédito vencido a atingirem respetivamente 11.242 e 10.009 milhões de euros (4,9% e -5,2% face a dezembro último).

“As suas coberturas por imparidades e colaterais são em março de 2017 de 88,5% (NPE) e de 92,7% (NPL). Em Portugal o nível de cobertura é de 94,4% (NPE) e de 100,9% (NPL)”, diz a instituição.

Os valores dos rácios de NPL e NPE brutos atingiram em março respetivamente 11,8% e 15,4% do total da carteira, tendo os mesmos rácios líquidos de imparidades alcançado 6,5% e 8,6%.

O crédito em risco reduziu-se para 10,4% em 31 de março de 2017 (11,9% em março de 2016), com uma cobertura por imparidades de 77%. Já custo do risco de crédito do trimestre situou-se em 0,17% (novas entradas em malparado) confirmando a trajetória descendente esperada após o exercício de avaliação de ativos levado a cabo no final de 2016.

Em termos de balanço, a instituição liderada por Paulo Macedo diz que “a relação de crédito face a depósitos (rácio de transformação) situou-se em março de 2017 em 88,1%, refletindo a forte capacidade de retenção de clientes da CGD, mesmo num ambiente de taxas de remuneração de depósitos muito baixas”.

No que se refere aos recursos totais de clientes na atividade doméstica estes aumentaram 1.105 milhões de euros (+1,6%) face a dezembro de 2016, atingindo 68.397 milhões de euros, fortemente influenciados pela evolução favorável dos depósitos de clientes (+1.122 milhões de euros).

O crédito a clientes bruto (incluindo créditos com acordo de recompra) reduziu 2,3% relativamente a dezembro do ano anterior para 67.138 milhões de euros no final de março de 2017, com o crédito a empresas e a particulares da atividade da CGD Portugal a registarem variações de -2,8% e 1,2%,
respetivamente.

Do lado do activo destaque ainda para o facto de o total das aplicações em títulos, incluindo ativos com acordos de recompra e derivados de negociação, registava em março de 2017 um acréscimo de 1.980 milhões de euros face ao valor alcançado em dezembro do ano anterior. Este investimento decorreu dos fundos provenientes do aumento de capital da CGD (2.500 milhões de euros), bem como da emissão de AT1 (500 milhões de euros) tendo sido reforçada a diversificação da carteira de títulos.

Os rácios CET1 phased-in e fully implemented eram em março de 12,3% e 12,0% respetivamente, com rácios phased-in Tier 1 e Total de 13,3% e 14,2%.

(atualizada)

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