Bruxelas quer evitar novo ‘dieselgate’ mas Alemanha tem dúvidas

A Alemanha estará a opor-se a uma proposta de lei para reformular como os veículos novos são licenciados e testados, diz a Reuters. Esta reforma proposta pela UE visa prevenir a repetição do Dieselgate.

O escândalo conhecido como ‘dieselgate’, que veio a lume em 2015 e expôs as atividades das marcas do Grupo VW na falsificação de dados de emissões para o licenciamento de veículos na Europa, colocou sob o escrutínio público a forma como a União Europeia regulamenta os testes de licenciamento de veículos novos para comercialização no espaço europeu.

Para prevenir um novo escândalo, a Comissão Europeia está a propor novos – e mais exigentes – regulamentos para estes testes, incluindo fazer com que sejam os governos (e não as marcas) a pagar pelos testes, bem como permitir que Bruxelas possa multar os construtores por quaisquer violações.

No entanto, a Reuters cita um documento da bancada alemã na Comissão Europeia para avançar com a notícia de que Berlim se opõe a que Bruxelas possa multar os construtores em até 30 mil euros/carro e a que o ónus do pagamento dos testes passe para a alçada dos governos.

De acordo com o mesmo documento, a Reuters declara que a Alemanha pretende que os testes e licenciamento dos veículos novos se mantenha um assunto nacional, ao invés de europeu, tal como a forma como as autoridades nacionais regulam o financiamento dos testes a serem levados a cabo.

A Reuters diz ainda que a bancada alemã propõe que os poderes de supervisão das autoridades nacionais dos diversos estados-membros seja aumentada para melhorar a eficácia de testes ocasionais em veículos poluentes, independentemente do método de financiamento.

Ao mesmo tempo, o documento sugere ainda que os construtores testem os seus veículos em bancos de ensaios operados unicamente por entidades aprovadas para o efeito, ao invés de em instalações de testes propriedade das marcas.

A Alemanha não parece estar sozinha nesta atitude. Uma investigação levada a cabo pelo Parlamento Europeu, e citada pelo Automotive News Europe, acusou países como Itália, França e Espanha de repetidamente atrasarem a adoção de regras mais restritas nos testes de emissões.

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