Brexit: Aumento dos preços no combustível e alimentos diminui vendas

Com o aumento da inflação, após o Brexit, o crescimento do Reino Unido fica posto em causa. "Parece que a notável resistência do consumidor do Reino Unido pós-Brexit está finalmente a chegar ao fim", alega um economista do banco ING.

Com a desvalorização acentuada da libra e o aumento dos preços dos combustíveis e dos alimentos, os consumidores britânicos andam a controlar mais os seus gastos. Os números mostram que os volumes de vendas caíram 0,3% no mês passado. Já o período natalício teve um declínio de 2,1%.

O mês de Janeiro assinalou a terceira queda consecutiva das vendas a retalho. O declínio vai deixar dúvidas sobre a capacidade do consumidor continuar a “alimentar” a economia do Reino Unido, que até ao momento se tem demonstrado mais resistente do que a maioria dos economistas esperava após o Brexit.

Kate Davies, da ONS (Office for National Statistics), estabeleceu ligações entre a desaceleração do retalho e as notícias de que a inflação atingiu 1,8% em Janeiro. “Temos visto, mês a mês, as quedas nas vendas a retalho e a evidência sugere que o aumento dos preços no combustível e nos alimentos são fatores significativos desta desaceleração”, afirmou Davies, citada pelo “The Guardian”.

A libra caiu 17% contra o dólar e 11% contra o euro desde o referendo, tornando o custo das importações para o Reino Unido, como combustível e alimentos, mais caras. Os preços dos combustíveis também foram impulsionados por um aumento dos preços do petróleo devido aos cortes na produção.

James Smith, economista do banco ING, esclareceu que a inflação iria subir mais este ano, pressionando as finanças domésticas. “Parece que a notável resistência do consumidor do Reino Unido pós-Brexit está finalmente a chegar ao fim”, lamentou Smith.

“Ao mesmo tempo, o aumento dos salários está a ser moderado e as perspetivas de emprego são, na melhor das hipóteses, subjugadas. Quando se coloca tudo isso junto, as rendas reais parecem estar definidas para começar a cair, o que pode tornar-se num 2017 duro para o consumidor do Reino Unido”, acrescentou o economista.

A ONS indicou que os residentes no exterior fizeram 9,2 milhões de visitas ao Reino Unido nos últimos três meses de 2016, um aumento de 6% face ao ano anterior. As visitas da América do Norte aumentaram 15% e as visitas dos residentes dos países da UE aumentaram 8%.

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