Brasil prepara-se para mais um dia difícil

Lula da Silva vai ser ouvido em audiência gravada. A defesa quer gravar todos os intervenientes, mas Sergio Moro não quer o circo dentro do tribunal. Mas com o circo da rua, pode contar.

Fernando Donasci/Reuters

A situação política do Brasil continua a ser uma enorme confusão e os próximos dias tendem a piorar um estado de coisas que já poucos afirmam compreender. O culpado é o do costume: o processo Lava Jato, que esta semana tem mais um momento importante no meio da novela que já está em cartaz há vários anos. Desta vez, o país está suspenso pela audição do antigo presidente Inácio Lula da Silva por parte do ‘super-juíz’ Sergio Moro.

A audição é só amanhã, quarta-feira. Mas os episódios paralelos sucedem-se a uma velocidade vertiginosa. Para além dos textos sobre o aproveitamento político da audição – com o país dividido entre os que acham que Lula da Silva é culpado por corrupção e os que acham que o antigo presidente foi apenas apanhado no meio da tempestade – as partes envolvidas tentar ganhar vantagem.

O episódio mais recente teve a ver com a vontade manifestada pelos advogados de Lula da Silva de que a gravação do depoimento mostrasse não apenas Lula da Silva, mas também os juízes e os restantes presentes na sala. Moro apressou-se a esclarecer que o depoimento do antigo presidente não é um ‘happening’ político-partidário e que, por isso, a gravação mostrará apenas o semblante do interrogado.

Perdido esse ‘caso’, o Partido dos Trabalhadores convocou uma manifestação de apoio a Lula da Silva para as portas do tribunal (de Curitiba), para coincidir com o tempo do interrogatório. Sergio Moro prevê o pior, tendo mesmo chegado a divulgar um vídeo nas suas páginas das redes sociais, onde pede aos brasileiros para não tomarem parte nessa manifestação, sob pena de ela poder tornar-se violenta. Mas o partido de Lula não abre mão da convocatória.

Os próximos dias serão, por isso, de grande tensão no país – que está submerso num crise política e económica cada vez mais profunda desde que Dilma Roussef deixou de presidir ao país.

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