BPI: Tiago Violas desiste da queixa à CMVM

O empresário que quer ficar com entre 2% e 5% do Novo Banco com a Apollo, diz que o BPI é passado e desiste da queixa à CMVM.

O Grupo Violas Ferreira chegou a anunciar que ficava com 10 mil acções do BPI para ter a qualidade de acionista e nessa condição processar o regulador do mercado de capitais (CMVM) por ter autorizado “uma OPA não equitativa para todos os acionistas do banco”, nas palavras de  Tiago Violas.

O empresário disse ao Jornal Económico que desistia de pôr uma ação contra a CMVM. “Decidimos esquecer o BPI. É passado. Vamos”, revelou Tiago Violas.

No entanto o representante do GrupoViolas Ferreira Financial mantém a indignação. “o CaixaBank  em colaboração com board do BPI, trocou o controle do melhor activo do banco, o BFA, pela desblindagem de estatutos, para poder comprar o BPI por 66% dos valor dos seus capitais próprios”, disse Tiago Violas. “Achamos que todos entendem que o segundo maior acionista do BPI, a Santoro, através da Unitel, teve condições que os outros acionistas não tiveram”, refere Tiago Violas. “O controlo do BPI em vez de pagar um prémio aos acionistas pagou um desconto”, diz o gestor ao Jornal Económico.

Mas o BPI são águas passadas para Tiago Violas e por isso, diz, “vamos canalizar energia para crescer no futuro”, disse.
O representante do Grupo Violas confirmou ao Jornal Económico que tem interesse em ser acionista de um projecto bancário nacional e vê a entrada no Novo Banco no âmbito da proposta da Apollo/ Centerbridge como uma hipótese de isso se concretizar.

O Grupo Violas admite ficar com uma participação qualificada de entre 2% e 5% no Novo Banco.
Tiago Violas foi sondado pelo Fundo de Resolução/Banco de Portugal para ser acionista com a Lone Star do Novo Banco, mas respondeu que a sua aliança nesse projecto é com a Apollo.

O consórcio Apollo/Centerbridge ainda não fez uma proposta concreta para todo o Novo Banco, porque tarda em conseguir apurar o valor real dos colaterais que servem de garantia aos créditos dados pelo banco agora liderado por António Ramalho.
O consórcio de fundos norte-americanos voltou a fazer uma due-dilligence aos ativos problemáticos do Novo Banco para determinar o valor máximo que pode oferecer. Mas a falta de informação e de avaliações atualizadas sobre alguns dos colaterais dos créditos têm dificultado a determinação de um valor concreto.

Segundo fontes ligadas ao processo, falta as entidade vendedor atualizar o valor dos colaterais, alguns deles são imóveis em construção degradados por terem sido abandonados desde 2014, outros não já existem. “Não se sabe se o Novo Banco tem essa informação ou se em 2014, quando foi feita a Resolução do BES, se esse informação foi destruída. Há no side-bank créditos que valem 90% do seu valor nominal e outros que valem zero, dizem as nossas fontes. “Cabe ao vendedor a avaliação realista dos colaterais dos créditos”, diz a mesma fonte.

O Jornal de Negócios avançou com a notícia de há dois créditos mediáticos que são dados como perdidos na avaliação da Lone Star.
O Novo Banco ficou com o direito a receber 20% do crédito que o BES tinha concedido ao BESA, hoje Banco Económico, o que perfaz cerca de 700 milhões de euros. Neste momento estão em risco cerca de 600 milhões de euros de créditos à entidade angolana que são vistos como incobráveis. Outra operação que deverá ser malparada é a de crédito às entidades venezuelanas, através do Novo Banco Venezuela.

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