Bolsa de São Paulo afunda mais de 9% com nova crise política

O presidente do Brasil foi gravado a autorizar o pagamento de subornos e a nova crise política já penaliza os mercados. O Bovespa, principal índice acionista brasileiro, cai 8%, tendo chegado a perder 10% o que até levou à suspensão da negociação.

As quedas foram tão fortes que foi acionado o circuit breaker – um mecanismo que suspende a negociação por 30 minutos no caso de movimento bruscos no mercado. O índice Bovespa caia 10,47% às 10h21 de São Paulo (14h21 em Lisboa), quando a negociação foi suspendida. Após reabrir, o índice negoceia agora a cair 9,28%

Os investidores estão a reagir à reportagem do jornal Globo publicada na quarta-feira à noite e revela Michel Temer, presidente do Brasil. a autorizar o pagamento de subornos a Eduardo Cunha, antigo líder da Câmara dos Deputados e que está a cumprir uma de 15 anos no contexto da Operação Lava Jato.

A Presidência da República do Brasil divulgou uma nota na qual informa que o presidente Michel Temer “jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha”, mas não foi suficiente para estancar os que uma nova crise política que poderá abalar a economia brasileira e eliminar o otimismo  num mercado que disparou 39% em 2016.

Per Hammarlund, estrategista chefe de mercados emergentes da Skandinaviska Enskilda Banken, disse à Bloomberg que ” se a presidência de Temer acabar, a melhor opção para os mercados seria os deputados nomearem um novo líder rapidamente”, alertando que “eleições antecipadas poderiam trazer o caos e fazer o Bovespa tombar até 50%”.

“Há muito medo”, frisou Hammarlund.

Numa nota de análise, a Schroders alerta que a alegações sobre Temer terão implicações no desenvolvimento da atividade económica do país e nos mercados de títulos. “As reformas das pensões e do mercado de trabalho, das quais a primeira é especialmente importanto, podem estar sob ameaça”, frisou Craig Botham, economista de mercados emergentes da gestora.

No Bovespa, vários dos pesos-pesados perdem mais de 10%, incluindo a Petrobras, que desce 13,71%. Nos títulos relacionados com cotadas portuguesas, a EDP Energias do Brasil desvaloriza 9%, e levaram a ‘casa mãe’ EDP Energias de Portugal a fechar a descer 2,19% em Lisboa. As ações da telecom Oi, cuja maior acionista é a holding portuguesa Pharol, tombam quase 10%. A Pharol encerrou a descer 7%.





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