BiG prevê que economia mundial deverá crescer 3,7% em 2018

A "erosão da quota de mercado do Bloco Europeu foi preenchida, na sua quase totalidade, pela ascensão do bloco Asiático", diz a análise do BiG. Pois "ainda que a economia americana seja muito dependente do consumo interno, o peso dos EUA no comércio internacional manteve-se idêntico nos últimos 10 anos", acrescenta.

O Outlook 2018 com a visão do BiG Research para a generalidade das classes de activos e mercados financeiros, prevê que a economia mundial deverá crescer 3,7% em 2018, traduzindo um dos níveis mais elevados de crescimento anualizado da década.

“O nível de sincronização do crescimento económico é muito robusto, sendo expectável uma dupla aceleração entre o crescimento das economias emergentes (4,85%) e desenvolvidas (2,03%)”, refere o documento do banco liderado por Carlos Rodrigues.

“A emergência do bloco Transpacífico versus Transatlântivo como quadro central da Nova Ordem Mundial é já uma realidade indiscutível”, diz a análise. A crise de dívida soberana que assolou a Europa no pós-Lehman e respostas assimétricas dos países/instituições Europeias contribuíram para uma menor preponderância da Zona Euro no contexto internacional, contextualiza o research.

A análise prevê ainda que a inflação a nível mundial deverá manter-se contida em função de alterações estruturais no mercado de trabalho, “os quais decorrem de factores diversos como a quebra da produtividade do Capital Humano, a emergência da Tecnologia/Automação, menor poder negocial dos trabalhadores no contexto da globalização e o elevado nível de endividamento (público e privado)”, lê-se na nota.

” O nosso cenário-base @70% aponta para um pick-up moderado do nível de preços, ainda que existam riscos de potencial overshoot da inflação em regiões específicas (EUA e China), ainda que não atribuímos uma probabilidade superior a 20% para tal evento ocorrer”, diz a análise.

Já no que toca à Europa o nível de crescimento económico é o mais elevado de toda a década de 2010, “suportado pela convergência da actividade entre os países da Periferia e Core”, diz o BiG. E, tal como noutras regiões, “este nível de crescimento não tem acarretado pressões inflacionistas relevantes”.

A explicação para o atraso no aumento da inflação tão pretendido pelo BCE é o “crescimento lento dos salários”. Esta “é uma das razões principais pelas quais a inflação é contida na Zona Euro – nível salarial afigura-se menos sensível a mudanças na procura agregada. O efeito da crescente procura económica no aumento dos salários está condicionada por negociações salariais obsoletas e mudanças estruturais no mercado de trabalho”, diz a nota.

“Mantendo-se uma dinâmica tão favorável da actividade na Europa, acreditamos que o BCE será pressionado para encerrar o programa de Quantitative Easing (QE) até final do ano”, refere o bano. “Nesse contexto, o nosso cenário base passa pela extensão do QE por 3 meses no último trimestre do ano e uma redução do programa de compra de activos de  30 mil milhões de euros para 15 mil milhões de euros – o que permitiria o BCE encerrar o programa de compra de activos precisamente em Dezembro de 2018”, acrescenta.

O BiG não descarta “sobretudo no último trimestre do ano, uma eventual subida da depo rate, o que teria implicações positivas ao nível da rendibilidade do sector financeiro e, noutro âmbito, poderá promover um pick-up mais acentuado das taxas de juro de curto prazo da dívida alemã (bear flattening)”, escrevem os analistas.

Globalização acelerou o declínio Europeu no contexto do Comércio Mundial, é uma das concluões do Outlook.

A emergência do bloco Asiático (China) e do seu perfil de exportações com menor valor acrescentado justificam a quebra do valor do comércio mundial, não obstante a aceleração do ritmo de trocas a nível global, justifica o banco.

A análise da equipa de research do banco, que é liderada por João Lampreia, explica ainda que a “erosão da quota de mercado do Bloco Europeu foi preenchida, na sua quase totalidade, pela ascensão do bloco Asiático”. Pois “ainda que a economia americana seja muito dependente do consumo interno, o peso dos EUA no comércio internacional manteve-se idêntico nos últimos 10 anos”.

EUA
A economia norte-americana encontra-se já num dos mais longos períodos de expansão desde o pós-guerra.

“O inédito plano de expansão fiscal de Trump num estágio tardio do ciclo deverá continuar a favorecer o desempenho da economia americana”, diz a nota.

“O actual nível de spread da dívida americana 10/2 (apesar de estreito ~50 pb) poderá indiciar que a próxima recessão nos EUA não se materializará nos próximos 2 anos”, antevê o BiG.

Apesar da subida agressiva das taxas de juro de curto prazo, a yield das Treasuries a 10 anos manteve-se pouco alterada em 2017.” A procura sobre as Treasuries continua elevada, seja pela distorção de preços via QE (taxas de juro na Europa e Japão próximas de zero), seja numa lógica de hedge para riscos de recessão/instabilidade de mercado.
– Outros indicadores avançados (Leading Index) e o nível de capacidade utilizada indiciam que a economia americana ainda ostenta alguma folga para aceleração do crescimento, sem que o mesmo treslade para um pick-up agressivo do nível de preços”, avança a análise do BiG.

Já sobre o Japão, o banco diz que há sinais positivos do país que atraem a atenção, “traduzindo-se na melhoria de indicadores como o saldo da Conta Corrente que fixou máximos relativos, bem como pelo facto de se assistir a um crescimento gradual dos salários anualizados (leituras mensais)”.

“A melhoria do contexto macro nipónico e o unwind das políticas de QE (EUA e Europa) deverá pressionar o Banco de Japão a rever a política monetária pouco ortodoxa, nomeadamente o objectivo de manutenção da yield a 10 anos nos 0%. Financial Sector no Japão e Iene deverão reagir em alta a esta possibilidade”, anuncia o Outlook.

China
Segundo a análise, a inflação continua a ser o indicador chave no caso da China. “Por muito endividamento ou shadow banking que o país tenha abarcado nos últimos anos, devido à centralização da sua economia, a inflação parece ser a variável que representa mais risco para o país”, alerta o BiG. A inflação manteve-se contida em 2017 e, em função da subida das taxas de juro nos mercados obrigacionistas, “espera-se que permaneça baixa durante 2018”.

Os analistas estimam que “um soft landing bastante prolongado continua a ser o cenário base para a economia chinesa, sendo que o reforço do poder de Xi Jinping é um factor que pode motivar reformas mais aprofundadas”.

Projecção do BiG por classes de activos para 2018:

DÍVIDA
US Treasuries 2,50%-2,80%
GER Bunds: 0,6%-1%
POR-GER Spread:~100-150pb
ITA-GER Spread:~100-150pb
ESP-GER Spread:~50-100pb
FR-GER Spread:~20-50pb

ÍNDICES ACCIONISTAS
S&P 500: 2.752/+2% (@ prob. 90%)
Euro Stoxx 50: 3.788 /+5% (@ prob. 90%)

TOP CALLS GLOBAIS
EUA: acções de baixa capitalização bolsista
Inflação: Hedge (US 10 Yr. TIPS)
Japão: WisdomTree Japan Hedged Financials Fund
M&A: IQ Merger Arbitrage ETF
Mercados emergentes: Arábia Saudita e México

ACÇÕES EUROPEIAS
Kering (Luxo)
SAP (Tecnologia)
Merck KGaA (Farmacêutica)
Axa (Segurador)
Basf (Industrial)




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