BCP prepara novo business plan para apresentar no segundo trimestre de 2018

Banco liderado por Nuno Amado prepara um novo plano de negócios para apresentar na primeira metade de 2018, isto depois de manter as metas estratégicas atuais para o próximo ano. A redução de NPE vai continuar. Até setembro já ultrapassou as metas. Como é que conseguiu isso? O BCP vendeu 777 milhões de euros de crédito malparado nos nove meses.

Cristina Bernardo

Na conferência com analistas o BCP admitiu lançar um novo business plan no início do segundo trimestre de 2018. Isto depois de ter confirmado os objetivos estratégicos para o exercício de 2018, onde se destaca um ROE de 10% e um custo do risco abaixo dos 75 pontos base . Isto é, imparidades para crédito serem 0,75% da carteira de crédito, recorde-se que para 2017 a meta é a manutenção dos 120 pontos base.

Mas há ainda como metas um rácio de capital CET1 de 11%; um rácio de loans-to-deposits abaixo dos 100%; e um cost-to-income abaixo de 43%

Research da Caixa BI: BCP vendeu 777 milhões de euros de crédito malparado

Na sua análise aos resultados do BCP, divulgados ontem em conferência de imprensa, o Caixa BI destaca “a redução muito significativa dos “Non Performing Exposures” (NPEs) em Portugal, que diminuíram em 1,4 mil milhões nos primeiros nove meses de 2017, cifrando-se em 7,17 mil milhões de euros, já abaixo do objetivo de 7,5 mil milhões anunciado para o final de 2017; sendo de registar ainda o aumento da cobertura total, incluindo garantias (cobertura de 105%, com 41% via reservas)”.

“Saliente-se que esta redução já supera o objetivo anual de mil milhões de euros para 2017, por via de 777 milhões de euros de vendas, 527 milhões de euros de write-offs (imparidade a 100%) e 785 milhões de euros de saídas (líquidas de entradas) na carteira de NPEs”.

Ontem o banco liderado por Nuno Amado divulgou que do total de NPEs em Portugal do total de NPEs de 7,2 mil milhões em 30 de setembro de 2017, 4,2 mil milhões de euros referem-se ao stock de crédito vencido (NPL) há mais de 90 dias.

O conceito de NPE, que é da Autoridade Bancária Europeia, contempla o crédito vencido há mais de 90 dias ou crédito com reduzida probabilidade de ser cobrado sem realização de colaterais, mesmo se reconhecido como crédito em incumprimento ou crédito com imparidade. Considera adicionalmente todas as exposições se o crédito vencido a mais de 90 dias representar mais de 20% da exposição total do devedor, mesmo se não estiver classificado como crédito com imparidade. Inclui ainda o crédito no período de quarentena, durante o qual o devedor tenha demonstrado capacidade para cumprir com as condições de reestruturação, mesmo se a reestruturação tenha conduzido à saída das classes de crédito em incumprimento ou crédito com imparidade.

As provisões para crédito ascenderam a 153, milhões de euros no 3º trimestre de 2017. Nos nove meses de 2017 o custo do risco foi de 120 pontos base (459 milhões de euros). Por outro lado, o banco reforçou
as “outras imparidades” em 59,6 milhões de euros no 3º trimestre  (169,9 milhões nos nove meses de 2017).

O BCP apresentou um resultado líquido de 43,4 milhões nos meses de julho a setembro, o que compara com 39,8 milhões no segundo trimestre (+9,6% numa base trimestral). Nos nove meses o resultado ascendeu a 133,3 milhões, abaixo da estimativa do Caixa BI que era de 137,5 milhões), traduzindo um ROE de cerca de 3,2% e que compara com um prejuízo de 251,1 milhões nos nove meses de 2016.

Saliente-se que esta variação está maioritariamente relacionada com a descida de imparidades para crédito (459 milhões nos nove meses de 2017 versus 870 milhões nos 9 meses de 2016) e com o aumento de 12% em base anual da margem financeira (1.025 milhões nos nove meses de 2017 versus 907 milhões nos nove meses de 2016). O contributo das operações internacionais foi de 131,3 milhões até setembro (o que compara com os 134,8 milhões nos nove meses de 2016) enquanto a operação doméstica apresentou um resultado de um milhão de euros e que compara com prejuízos de 394 milhões nos nos nove meses de 2016.

As ações do BCP caíram 0,55% para 0,2509 euros esta terça-feira.

 





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