BCP com lucros de 50,1 milhões, subindo 7,4%

O banco destaca a melhoria dos resultados core (+19,5%) e o esforço de redução do crédito em risco, que cresceu menos no trimestre, 25 milhões de euros.

O banco liderado por Nuno Amado registou lucros no primeiro trimestre de 50,1 milhões de euros, uma subida de 7,4% num ano, e João Nuno Palma já é administrador do banco depois de hoje ter chegado a autorização do BCE. Foram as duas notícias avançadas no arranque da conferência de imprensa.

Nuno Amado está a apresentar os números da actividade que fechou em Março. Os lucros beneficiaram da expansão contínua do resultado core,  que se cifrou em 254,8 milhões no 1.º trimestre de 2017, um crescimento de 20% face ao 1.º trimestre do ano anterior.

Nos números consolidados a margem financeira subiu 13,7% num ano, os resultados de operações financeiras subiram 28,4%, já as comissões caíram 1,9%.

Destaque para a continuação da redução dos NPEs (crédito em risco) e dos NPLs (crédito vencido) em Portugal, com um aumento da cobertura total, incluindo garantias, para 100%.

“O reforço do capital no início de fevereiro, permitiu o reembolso total dos CoCos e elevando o rácio CET1 fully implemented para 11,2% (13,0% em base phased-in) e a inversão da tendência de redução do crédito, particularmente visível na carteira não-NPE, que aumenta 247 milhões no 1.º trimestre de 2017”, foram os destaques do BCP.

O BCP que no fim do ano passado reforçou muito as imparidades por recomendação do auditor, começa 2017 com uma melhoria da qualidade da carteira de crédito. Destaque para o facto de terem entrado menos créditos em malparado. Cerca de 20,7 milhões de euros entraram pela primeira vez em crédito vencido no trimestre.  De salientar que no trimestre homólogo de 2016 tinham entrado em NPL, a mais de 90 dias, 127 milhões de euros.

O banco destaca ainda um acréscimo inferior do crédito NPE (em risco) na carteira total foi de +25 milhões do que em  31 de dezembro de 2016.

“Os NPEs em Portugal desceram para 8,3 mil milhões em 31 de março de 2017, com um ritmo muito elevado de redução desde 2013: média de 1,4 mil milhões por ano”, disse Nuno Amado.
“A Redução dos NPEs foi superior a 200 milhões de euros no 1.º trimestre de 2017, mais de 20% do objetivo de redução anual para menos de 7,5 mil milhões no final de 2017”, refere o banco.

Destaque para a descida dos NPL a mais de 90 dias para 4,8 mil milhões de euros em 31 de março de 2017, com redução significativa das entradas líquidas para 21 milhões no 1.º trimestre de 2017.

As imparidades e provisões no global subiram 15,5% num ano, mas se olharmos só para as imparidades para crédito, liquidas de recuperações, essas caíram 7,3% para 149 milhões de euros. As outras imparidades que não para crédito subiram mais de 200%, referindo-se a provisões para cobrir perdas nas participações nos fundos de reestruturação na área da construção e para reavaliar garantias dadas a esse sector.

Nuno Amado diz que o banco está preparado para dar crédito à economia.

O  BCP é dos bancos mais eficientes da zona euro, com rácio cost-to-core income de 48% (cost-to-income de 45%), revela o presidente do BCP.

Na atividade em Portugal “o resultado líquido aumentou 7,1 milhões de euros face ao primeiro trimestre do ano anterior, atingindo 9,0 milhões de euros, beneficiando do efeito positivo do reembolso dos CoCos, concluído em fevereiro de 2017, e refletindo a manutenção da dinâmica comercial e o rigoroso controlo dos custos”, diz o banco.

Nuno Amado disse ainda que o objectivo para 2018 é chegar a um resultado bruto operacional antes de imparidades de 1. 200 milhões de euros, e “estamos quase lá”, referiu.

Há ainda um caminho a fazer no que se refere aos custos de risco do crédito (o custo do risco deve ficar abaixo dos 75 pontos base, referindo-se às entradas de novas imparidades, e está nos 114 pontos base) e no ROE (return-on-equity) que estão ainda distantes dos objetivos – neste caso o caminho é longo, de 4,1% para 10% – mas o rácio de capital está acima dos 11% e o objectivo para 2018 é 11%.

Já o cost-to-income que está nos 44,6% tem como patamar para 2018 chegar aos 43%.

O rácio de loans-to-depósits (rácio de transformação dos depósitos em crédito) tem como meta ficar abaixo de 100% e já está em 97%.

“O caminho para 2018 é ainda um caminho difícil mas estamos confiantes que o vamos conseguir fazer alcançando os desafios traçados”, disse Nuno Amado.

(atualizada)



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