BCP apresenta lucros de 133,3 milhões de euros

Os ativos problemáticos (NPE) em Portugal reduzem-se em 1,4 mil milhões de euros nos primeiros nove meses de 2017, cifrando-se em 7,2 mil milhões de euros em 30 de setembro de 2017, já abaixo do objetivo de 7,5 mil milhões de euros anunciado para o final de 2017.

O BCP registou lucros de 133,3 milhões  o que compara com um prejuízo de 251,1 milhões no mesmo período do ano anterior, beneficiando da expansão contínua do resultado core, que se cifrou em 823,2 milhões nos primeiros nove meses de 2017, comparando com 665,8 milhões no mesmo período de 2016, diz o banco. Se olharmos só para a atividade em Portugal, o resultado líquido aumentou 395,0 milhões de euros, comparativamente aos primeiros nove meses de 2016, totalizando 0,8 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2017, apoiado na diminuição das imparidades e provisões e na expansão do resultado core.

As imparidades caíram 43,5% para  628,5 milhões com impacto positivo nos resultados de 484,5 milhões. Nas imparidade do crédito (líquidas de recuperações) o montante em setembro somava 458,6 milhões, o que compara com 870,2 milhões no período homólogo do ano passado (-47,3%).

A notícia mais relevante foi  queda dos ativos problemáticos (NPEs). Em Portugal reduzem-se em 1,4 mil milhões nos primeiros nove meses de 2017, cifrando-se em 7,2 mil milhões de euros, já abaixo do objetivo de 7,5 mil milhões anunciado para o final de 2017; sendo de registar ainda o aumento da cobertura total, incluindo garantias, para 105%.

Em termos meramente domésticos do total de NPEs de 7,2 mil milhões em 30 de setembro de 2017, 4,2 mil milhões de euros referem-se ao stock de crédito vencido há mais de 90 dias.

Houve um aumento significativo das saídas líquidas de NPE para 395 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2017 (103 milhões no mesmo período de 2016). Em setembro deste ano os ativos problemáticos (NPEs) pesaram 15,9% no crédito total, o que compara com 18% um ano antes.

O custo do risco foi de 120 pontos base, uma melhoria de 43,5% face ao período homólogo. Em Portugal o custo do risco em setembro era de 137 pontos base e as imparidades caíram 46,9% para 558 milhões, das quais 390 milhões são imparidades para crédito.

O crédito caiu 3,5%. Mas a nova produção de crédito aumentou +27,4% para 1.398 milhões de euros. A evolução do crédito reflete a continuação da redução dos NPEs. Os recursos totais de clientes subiram 5,2% para 70.231 milhões de euros. Em Portugal a subida foi de +4,5%.

Estes resultados líquidos foram obtidos graças à rubrica mais importante do produto bancário de um banco: a margem financeira que subiu +12,8% para 1.023 milhões de euros. A subida da margem financeira face ao primeiros nove meses de 2016 reflete o impacto da descida continuada da remuneração dos depósitos a prazo, do reembolso dos CoCos e da redução do crédito vencido, mais que anulando os efeitos desfavoráveis da descida das Euribor e do menor volume de crédito. As comissões subiram +2,8%. Os resultados em operações financeiras cifraram-se em 115,0 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2017, comparando com os 212,5 milhões de euros contabilizados no período homólogo de 2016, os quais refletem o registo da mais-valia de 91,1 milhões de euros decorrente da aquisição das participações detidas pelo BCP em Portugal e pelo Bank Millennium na Polónia na Visa Europe, no segundo trimestre de 2016, pela Visa Inc.

O cost-to-income, que mede a eficiência do banco, caiu ligeiramente (ou seja o banco ficou mais eficiente) para 43,6%, e compara bem com os pares europeus.

A margem a nível doméstico cresceu 9% para 591,8 milhões. Já as comissões somaram em Portugal 337,7 milhões, uma queda de 1,6%.

O BCP diz que os lucros também se devem à redução de 3,8% dos custos operacionais. Excluindo itens específicos (um proveito de 23,7 milhões de euros relacionado com proveitos da negociação do ACT e com custos de reestruturação nos primeiros nove meses de 2017 e um custo de 1,7 milhões de euros decorrente de custos de reestruturação nos primeiros nove meses de 2016), o resultado core atingiu 799,6 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2017, evidenciando um acréscimo de 19,8% face ao valor alcançado em igual período do ano anterior. A forte redução de custos é um tema relevante no BCP.

A reversão dos cortes nos salários aplicados quando o banco pediu ajuda ao Estado e este emprestou dinheiro através da subscrição de títulos CoCos tem um impacto anual de 16 milhões de euros (a partir do 2º semestre), mas foi compensado por outras economias noutras áreas.  Pelo que no acumulado do ano, numa comparação anual, os custos descem, mas na comparação trimestral os custos com pessoal sobem por causa da reposição total dos salários.

O banco tem uma rentabilidade baixa, de 4%, o que compara com um custo do capital de 9% a 10% neste setor. Nuno Amado explicou que o objetivo é aproximarem a rentabilidade do custo do capital.

Na atividade internacional, o resultado líquido totalizou 131,3 milhões de euros, nos primeiros nove meses de 2017 e 134,8 milhões de euros no período homólogo do ano anterior, refletindo os menores contributos das operações na Polónia e em Angola, não obstante o aumento do contributo das restantes operações, apesar dos efeitos cambiais negativos. No entanto, salienta-se que a evolução do contributo da Polónia se encontra penalizada pela mais-valia registada em 2016 com a aquisição da Visa Europe pela Visa Inc (26,3 milhões de euros), e pelo reconhecimento das contribuições obrigatórias, nomeadamente da contribuição para o Fundo de Resolução.

O banco anunciou um reforço do rácio CET1 fully implemented para um valor estimado de 11,7% em 30 de setembro de 2017, face a 9,5% em 30 de setembro de 2016. Já o rácio CET1 phased-in atinge um valor estimado de 13,2% e 12,2% nas mesmas datas.

(atualizada)





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