BCP ajuda PSI 20 a entrar no ano a ganhar e em contraciclo com a Europa

A Bolsa de Lisboa entrou em 2018 como saiu de 2017: a subir. Na primeira sessão do ano, o BCP tocou em máximos de julho e permite ao PSI 20 avançar mais de 1%.

Kai Pfaffenbach/Reuters

 

A meio da primeira sessão do ano, o índice nacional PSI 20 ganha 1,09% para os 5.446,93 pontos, suportado principalmente pelos ganhos do BCP, dos CTT e da Corticeira Amorim.

O cenário positivo em Lisboa contrasta com as quedas nas principais praças europeias. O DAX alemão é índice que mais cai (0,77%), enquanto o CAC 40 de Paris desce 0,66% e os índices de Londres e Milão recuam perto de 0,50%. A penalizar o sentimento na Europa está a subida do euro face ao dólar, um movimento que está a levar os títulos das cotadas exportadores, especialmente no setor automóvel, para o vermelho. A moeda europeia aprecia-se 0,47% para os 1,2063 dólares.

No PSI 20, o título em destaque é o BCP, que dispara 3,38% para 0,2812 euros, máximos intraday de julho de 2016.  “Não vimos nenhuma notícia em concreto, mas o BCP já tinha terminado a semana passada com duas subidas”, refere Gualter Pacheco, trader do Banco Carregosa no Porto, recordando que o banco liderado por Nuno Amado disparou quase 50% em 2017.

A dar suporte adicional ao índice estão os CTT, com uma subida de 3,05% e a Corticeira Amorim, com um disparo de 5,44%. Para Gualter Pacheco, o operador postal vai estar em foco no início deste ano devido ao plano de reestruturação, enquanto a corticeira está a recuperar de quatro sessões seguidas de quedas.

A Galp Energia ganha 0,62% para 15,42 euros. No mercado petrolífero, o preço do barril de Brent esteve a subir na primeira parte da sessão, devido aos protestos no Irão, mas negoceia agora estável nos 66,83 dólares, enquanto o de Crude WTI  segue inalterado nos 60,41 dólares.

Os títulos da Navigator avançam 1,60% na primeira sessão após ter anunciado ter decidido vender a fábrica de ‘pellets’ nos Estados Unidos ao grupo norte-americano Enviva. A empresa foi avaliada por 109 milhões de euros no final do ano, segundo o relatório e contas anual da The Navigator Company (ex-Portucel) referente ao exercício de 2016.  Os analistas do BPI salientam que a Navigator não tem novos projectos para além de 2018 e que “isto pode ser usado para impulsionar um novo plano de negócios com investimentos no seu negócio core, enquanto a Navigator pode também usar parte dos rendimentos para distribuir um dividendo extraordinário” .

No lado das quedas, somente dois títulos: a Ibersol perde 1,23% e a EDP Renováveis recua 1,18%.

No mercado secundário de dívida as yields dos países da periferia da zona euro negoceiam em alta, no início de um ano no qual o Banco Central Europeu vai reduzir e, eventualmente, terminar o programa de compra de ativos. A taxa das obrgações portuguesas a 10 anos sobe 4 pontos base para 1,97%, enquanto a equivalente espanhola aumenta 3 pontos para 1,60%.

“Enquanto o corte nas compras do BCE não constitui surpresa, há alguma incerteza sobre como os mercados irão se ajustar a isso num mês que é especialmente pesado em termos de oferta [de dívida]”, explica Rainer Guntermann, estrategista de taxas no Commerzbank, à Reuters.





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