BCP: a primavera após um inverno difícil

Os investidores no BCP podem voltar a sorrir. Após o choque sofrido com o aumento de capital, os títulos estão a viver um ‘rally’ com um disparo de 14% numa semana, impulsionado pelo otimismo dos analistas e notícias sobre o Fundo de Resolução.

Rafael Marchante/Reuters

Depois de um início de ano difícil, o Banco Comercial Português (BCP) parece estar a regressar aos ganhos e acumulou  uma valorização bolsista de 14,06% esta semana. O sucesso do reforço de capital do banco liderado por Nuno Amado, o reembolso do empréstimo ao Estado e melhores previsões dos analistas estão a impulsionar a negociação dos títulos do banco no PSI 20.
Desde dezembro de 2016 que as ações do BCP não negociavam num valor tão elevado, tendo fechado na quinta-feira nos 0,1979 euros, com uma subida de 4,38%, beneficiando do iminente anúncio sobre a venda do Novo Banco ao fundo americano Lone Star.

Isto depois de chegado a terem atingido um valor mínimo de 0,1327 euros no dia 9 de fevereiro, a sofrer com o choque do aumento de capital.
Durante oito sessões, os títulos do banco e os direitos de subscrição do aumento de capital negociaram simultaneamente, tendo o valor dos direitos oscilado entre os 56,5 cêntimos e 92,5 cêntimos.

De 19 a 23 de janeiro, foram transacionados em bolsa quase 297 milhões de direitos e os acionistas acabaram por pagar 0,094 euros pelas novas ações, ou seja, com uma diferença significativa face ao valor atual. Os receios em relação ao BCP parecem começar a dissipar-se.

“A conclusão do aumento de capital no valor de 1,33 mil milhões de euros em fevereiro eliminou as principais preocupações sobre o capital”, referiu o banco de investimento Caixa BI, que retomou a cobertura das ações do BCP na semana passada com uma preço-alvo de 0,25 euros.
Os analistas do Caixa BI classificam 2017 como um ano de transição para o BCP e estimam “que o banco gere capital de forma orgânica em cerca de +50 pontos base e de +110, em 2017 e 2018, respetivamente”.

Além do sucesso do aumento de capital, o mercado está a recuperar das reações ao reembolso da totalidade das obrigações de capital convertível (CoCos). O pagamento da última tranche da ajuda estatal, no valor de 700 milhões de euros, foi conhecido no dia 9 de fevereiro, dia em que as ações do banco caíram a pique para o mínimo histórico.

Há ainda outro fator a impulsionar os títulos do BCP. A agência Moody’s ressalvou esta semana que a extensão dos empréstimos estatais ao Fundo de Resolução não só facilita a venda do Novo Banco como protege todo o setor da banca. “Este anúncio é positivo para os bancos portugueses porque os protege de uma venda deficitária do Novo Banco”, afirmou a analista da Moody’s Pepa Mori, numa nota.

“A alteração, aprovada pela Comissão Europeia, garante o pagamento na íntegra das responsabilidades com o Fundo de Resolução sem a necessidade de impor qualquer contribuição extraordinária para o setor da banca, mesmo que surja uma contingência”.

Apesar do entusiasmo em relação ao BCP, há ainda reticências, especialmente no que diz respeito ao crédito malparado.
“ O principal dilema é se o BCP será capaz pôr o foco do mercado e atenção no balanço (principalmente exposição ao mal parado) para a rentabilidade”, sublinhou o Caixa BI, acrescentando que se espera uma “normalização gradual do investimento nos próximos dois anos, sem recurso ao capital público e sem limitações na estratégia do banco” pela primeira vez desde 2012.



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