BCE sinaliza que não sobe juros na zona euro antes de setembro de 2019

O BCE anunciou que as taxas de juro de referência deverão manter-se em mínimos históricos "ao longo do verão de 2019". O presidente Mario Draghi clarificou que "se quiséssemos dizer setembro, teríamos dito setembro".

Ralph Orlowski/Reuters

Os juros de referência na zona euro poderão sair, em setembro de 2019, dos mínimos históricos em que estão desde março de 2016, mas não deverá acontecer antes. Na reunião do Conselho de Governadores, desta quinta-feira em Riga, o Banco Central Europeu (BCE) afirmou esperar que se mantenham no nível atual ao longo do verão do próximo ano, sublinhando que não referir o mês não foi acidental.

“Decidimos manter as taxas de juro de referência do BCE inalteradas e esperamos que estas se mantenham nos níveis presentes pelo menos até ao verão de 2019 e, de qualquer forma, enquanto for necessário para assegurar que a evolução da inflação se mantém alinhada com as nossas expetativas atuais de um caminho de ajustamento sustentável”, referia o comunicado da instituição.

Questionado sobre o assunto na conferência de imprensa que se seguiu, o presidente Mario Draghi clarificou que “se ‘ao longo do verão’ quisesse dizer setembro, teríamos dito setembro”.

A taxa de juro ditora está atualmente em 0%, enquanto a taxa aplicável à facilidade de depósito também não sofreu alterações e permanece nos -0,40% e a taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez fica em 0,25%. A estimativa dos analistas é que, apenas depois de terminar o programa de compra de ativos, o BCE comece alterações nos juros.

Esta quinta-feira, os governadores decidiram que o programa de estímulos monetários irá decorrer com a compra de 30 mil milhões de euros por mês em ativos da zona euro até setembro e que no último trimestre do ano irá continuar com um volume mensal de 15 mil milhões de euros. As compras líquidas deverão nessa altura acabar, seguindo-se uma política de reinvestimentos.

Aumentou, assim, a expetativa sobre o timing para a primeira subida dos juros. Segundo Draghi, a questão ainda não foi discutida e irá depender da evolução das condições económicos e do equilíbrio de riscos, já que a decisão desta quinta-feira foi toma num cenário “de economia robusta, mas incerteza em crescimento”.






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