BCE questionou em junho dar pistas sobre ‘tapering’

Apesar de terem discutido alterar a comunicação sobre o programa de compra de ativos, os membros do Conselho de Governadores do BCE decidiram não o fazer pois isso poderia sinalizar aos mercados que o fim dos estímulos estaria próximo.

Os membros do Banco Central Europeu (BCE) ponderaram começar a dar indicações sobre o fim do programa de compra de ativos, na última reunião de política monetária, a 7 e 8 de junho, em Tallin. Segundo as minutas do encontro do Conselho de Governadores, divulgadas esta quinta-feira, foi discutido se deviam abandonar a crucial expressão que indica a possibilidade de reforçar os estímulos.

O presidente do BCE, Mario Draghi, mostrou-se mais entusiasmado sobre a robustez da economia da zona euro e reviu em alta as previsões para o crescimento económico do bloco, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião. A ata mostra agora que os presentes consideraram que a necessidade de reforçar os estímulos à economia “diminuíram claramente”.

Por isso, discutiram a hipótese de justificar as melhorias na economia da moeda única para alterar a comunicação em relação às medidas de política monetária não convencional, por sugestão de Peter Praet.

O BCE tem atualmente em curso um programa de compra de ativos da zona euro a um ritmo mensal de 60 mil milhões de euros. Os mercados já esperam que o BCE comece a inverter a política e a abandonar os estímulos, razão pela qual decidiram não fazer ainda alterações à comunicação.

“Foi advertido que mesmo mudanças pequenas e incrementais na comunicação poderiam ser percebidas como uma sinalização de uma mudança mais fundamental na direção política”, referem as minutas.

“Embora existissem razões válidas neste momento para reter a perspetiva sobre a flexibilização do APP, foi notado que, à medida que a expansão económica prossiga e se a confiança na perspetiva da inflação melhorar, a manutenção dessa perspetiva poder ser revisto”.

O BCE fez, no entanto, outras alterações significativas à comunicação. Além de mais otimista sobre o crescimento económico e o decréscimo dos riscos, Draghi também fez alterações ao discurso sobre as taxas de juro. “O Conselho de Governadores mantém a expetativa que as taxas de juro de referência do BCE se mantenham nos níveis atuais por um período prolongado de tempo e bem além do horizonte do programa de compra de ativos”, referiu.

O banco central retirou, no entanto, em junho, a referência à possibilidade de as taxas de juro passarem para “níveis mais baixos”. Apesar disso, as taxas de juro de referência ficaram inalteradas, com a taxa de juro diretora em 0%, a taxa de juro aplicável à facilidade de depósito em -0,40% e a taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez em 0,25%.





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