BCE adverte que problema do crédito malparado na zona euro não está resolvido

"A muitos bancos falta-lhes a capacidade de absorver grandes perdas porque os seus rácios de créditos problemáticos em relação ao capital e às provisões permanecem elevados", segundo o presidente do BCE.

Ralph Orlowski/Reuters

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, considerou hoje que o problema do crédito malparado na zona euro não está resolvido, apesar de reconhecer que a situação melhorou desde o início do ano.

Draghi, que intervinha numa conferência em Frankfurt, afirmou com base em análises internas do BCE que os bancos com mais crédito malparado emprestam menos do que os bancos com créditos de melhor qualidade e, assim, apoiam menos as empresas e as famílias.

Mas o presidente do BCE reconheceu que os níveis dos bancos maiores da zona euro desceram de 7,5% no início de 2015 para 5,5% dos seus créditos totais atualmente.

“A muitos bancos falta-lhes a capacidade de absorver grandes perdas porque os seus rácios de créditos problemáticos em relação ao capital e às provisões permanecem elevados”, segundo o presidente do BCE.

“Todos sabemos o dano que podem causar na saúde dos bancos e no crescimento do crédito os permanentes níveis elevados de empréstimos bancários”, afirmou Draghi.

Depois de três anos durante os quais o BCE realizou a supervisão unificada dos bancos da zona euro, Draghi pediu de novo aos reguladores de cada país para “criarem um ambiente onde o crédito malparado se possa gerir de forma efetiva e desaparecer com eficiência”.

Draghi sublinhou que se atenuou “consideravelmente” a correlação entre os seguros de não pagamento de dívida dos grandes bancos e os da dívida soberana face aos momentos mais difíceis da crise da dívida da zona euro.

Contudo, o presidente do BCE também disse que isto ocorreu, em parte devido à melhoria da situação económica e insistiu que é crucial que as reformas para desvincular os bancos da dívida soberana não parem.

Draghi disse ainda que o BCE tem agora 900 supervisores, que juntamente com 4.700 supervisores nacionais, supervisionam diretamente ativos na zona euro no valor de 22 biliões de euros, que representam 200% do Produto Interno Bruto (PIB).



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