BCE abre o debate sobre o fim dos estimulos e faz subir as ‘yields’ na zona euro

Peter Praet, economista-chefe do Banco Central Europeu afirmou esta quarta-feira que o Conselho de Governadores vai na próxima semana discutir se já chegou a altura para iniciar o fim gradual do programa de compra de ativos. No mercado secundário, as taxas de juro reagem em alta.

Reuters

O Banco Central Europeu (BCE) está prestes a avaliar se os progressos obtidos para impulsionar a inflação na zona euro já serão suficientes para iniciar o desmantelamento gradual do programa de compra de ativos. O economista-chefe do BCE, Peter Praet, disse esta quarta-feira que o Conselho de Governadores de 14 de junho, em Riga, vai debater a questão.

“Na próxima semana, o Conselho de Governadores terá de avaliar se o progresso até agora é suficiente para justificar um desfazer gradual das nossa compras líquidas,” afirmou, num discurso em Berlim. “Ao fazer essa avaliação, vamos considerar a força subjacente da economia da zona euro e o impacto na formação de salários e preços.

Lançado em março de 2015 para estimular a inflação e o crescimento económico na zona euro, o programa já levou o BCE a adquirir 33.667 milhões de euros de dívida portuguesa, segundo dados divulgados esta segunda-feira pelo banco central. No total dos países do bloco, a instituições comprou 24.230 milhões de euros em maio e 2.04 biliões de euros desde o início do programa.

O BCE diminuiu o limite máximo para a compra de ativos para 30 mil milhões de euros por mês, a partir de janeiro, em comparação com os 60 mil milhões até dezembro. O programa está planeado até ao final de setembro e esta é a forma de a instituição liderada por Mario Draghi começar a preparar o mercado para o fim dos estímulos.

No mercado secundário, a reação aos comentários de Praet foi uma subida generalizada das yields das dívidas soberanas do bloco. A taxa das Bunds alemãs a 10 anos sobe 7 pontos base para 0,44%, o maior aumento diário numa semana, enquanto a equivalente portuguesa avança 4 pontos base para 1,90%, a espanhola 6 pontos base para 1,45% e a italiana dispara 11 pontos para 2,90%, segundo dados da Bloomberg.

Praet sublinhou que os sinais sobre a convergência da inflação em direção à meta têm estado a melhorar, adiantando que a robustez subjacente da economia da zona euro e o facto de esta estar cada vez mais a impulsionar subidas nos salários suportam a confiança sobre esse objetivo de levar a inflação a perto, mas abaixo de, 2% no médio prazo.

 

 






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