Bankinter: “Influência da redução dos impostos de Trump está clara na Europa”

Ramón Forcada, 'head of research' do banco explicou a Jornal Económico como a reforma fiscal nos EUA mudou o paradigma global. Itália é exemplo do impacto direto dessas decisões.

Donald Trump não é imprevisível, mas é preciso distinguir o que diz do que faz, na perspetiva de Ramón Forcada, head of research do Bankinter. Em Lisboa para apresentar o outlook do banco para o segundo semestre, explicou ao Jornal Económico como o presidente dos EUA está a ter um impacto direto na política europeia.

“Penso que Trump não é assim tão imprevisível. Uma coisa é o espetáculo que faz, os tweets, e outra são as decisões”, afirmou Ramón Forcada, apontando para políticas efetivamente implementadas como a reforma fiscal.

“A decisão foi de baixar os impostos, o que muda a tendência do mundo. Agora temos em Itália, também populismo – porque Trump é populista, há muitos tipos de populismos. O que dizem os populistas é que baixam impostos. A influência da redução dos impostos de Donald Trump está clara na Europa e, provavelmente, será bem recebida”, disse.

Em Itália, a solução de governo encontrada une políticos de direita, da Liga Norte, e esquerda, do Movimento cinco Estrelas. À semelhança do que fez Donald Trump nos EUA, também o novo Executivo italiano anunciou pretender reduzir os impostos a famílias e empresas.

Tal como como tema dos impostos, a emigração é outra questão em que Ramón Forcada vê semelhanças entre “populismos” norte-americanos e europeus. “[Trump] não fez nada diferente do que fazem os europeus”, afirmou, acrescentando que o que está a ser feito quanto à crise da emigração não funciona.

Assim, o head of research do Bankinter sublinhou que em temas de impostos, emigração e comércio, tem de se separar o que são as opiniões sobre a pessoa e as medidas realmente aplicadas sobre a economia.

“Podemos rir-nos de tudo o que diz Donald Trump, mas depois vemos o que fez: a economia norte-americana tem pleno emprego, inflação de 2% e cresce a 3%. Não sei o que diz, mas oxalá a economia europeia fosse assim”, acrescentou.




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