Banco de Inglaterra mantém taxas de juro inalteradas em mínimos históricos

A inflação permanece acima da meta de 2%, mas o banco central ainda não optou por subir a taxa de juro de referência, que permanece nos 0,25%.

Luke MacGregor/Reuters

O Comité de Política Monetária (CPM) do Banco de Inglaterra (BoE) manteve este quinta-feira as taxas de juro de inalteradas. A taxa de juro de referência fica, assim, no mínimo histórico de 0,25%. Seis membros do comité votaram para que as taxas de juro ficassem como estão há um ano, enquanto outros dois defenderam uma subida.

Quanto ao programa de compra de ativos fica também sem alterações. De forma unânime, todos os membros do CPM votaram para que o banco central do Reino Unido continue com um stock de 435 mil milhões de libras em compra de bonds e 10 mil milhões de libras em obrigações empresariais.

Apesar de não terem feito alterações aos juros ou aos estímulos à economia britânica, o comité tomou uma decisão que é vista pelos analistas como um primeiro passo para a normalização. O CPM decidiu não prolongar, além de fevereiro de 2018, o Term Funding Scheme (TFS).

Este mecanismo de incentivo introduzido para assegurar a transmissão das baixas taxas de juro de referência para a economia real, ou seja, famílias e empresas, já atingiu três quartos do objetivo de cem mil milhões de libras.

A instituição governada pelo canadiano Mark Carney poderá estar a preparar a normalização. “Poderá ser necessário um aperto da política monetária para alcançar um retorno sustentável à meta da inflação”, referiu o comunicado do BoE. “Especificamente, se a economia seguir um caminho amplamente consistente com a projeção central de agosto”.

Na reunião anterior, em junho, cinco membros do comité tinham votado a favor de manter a taxa inalterada e três no sentido de a aumentar. Desta vez, Michael Saunders e Ian McCafferty votaram novamente por um aumento de 25 pontos base. Tal como se esperava, o novo elemento do comité, Silvana Tenreyro que substituiu Kristin Forbes, votou ao lado do governador Mark Carney contra a subida.

Depois de cortes entre 2007 e 2009, para reagir à crise económica, as taxas de juro estiveram congeladas em 0,5% durante sete anos. Em agosto de 2016, no rescaldo do referendo que ditou o Brexit, o BoE voltou a cortar a taxa de juro para 0,25%.

Uma das principais consequências da votação foi a forte desvalorização da libra esterlina, que levou a uma subida dos preços para acima da meta do BoE de uma inflação de 2%. Em abril e maio, este indicador atingiu os 2,9%, o que intensificou o debate sobre o momento certo para aumentar as taxas de juro. No entanto, a inflação desacelerou para 2,6% em junho.

[Notícia atualizada às 12h30]





Mais notícias