Banco de Inglaterra admite remoção de estímulos à economia nos próximos meses

Comité de política monetária liderado por Mark Carney voltou a mostrar preocupações com a volatilidade da libra, a aceleração da economia e a sustentabilidade do crescimento económico.

Frank Augstein/Reuters

A aceleração da inflação e a volatilidade da libra esterlina levaram o Banco de Inglaterra a manter os instrumentos de política monetária inalterados. Na reunião desta quinta-feira, os membros do Comité de Política Monetária (CPM) decidiram não subir a taxa de juro de referência nem alterar o programa de compra de ativos. A decisão era esperada, mas o comité liderado por Mark Carney sinalizou que poderá remover alguns dos estímulos à economia em breve.

“A maioria dos membros do CPM considerou que, caso a economia continua a seguir uma trajetória consistente com a perspetiva de uma erosão contínua da folga e uma subida gradual da pressão inflacionária subjacente, então (…) alguma remoção dos estímulos monetários será provável ao longo dos próximos meses”, explicou o banco central em comunicado.

Apesar disso, o comité votou de forma para manter a compra de obrigações soberanas britânicas a um ritmo de 435 mil milhões de libras e o stock de compra de bonds de empresas não financeira e em grau de investimento, financiado pelas reservas do banco central, a 10 mil milhões de libras.

“O CPM votou por uma maioria de 7 – 2 para manter a taxa de referência em 0,25%”, explica o banco central em comunicado. A taxa está nesse mínimo histórico desde agosto do ano passado, quando o BoE cortou o custo do financiamento à economia para precaver os choques causados pela decisão dos britânicos, em junho desse ano, de abandonar a União Europeia.

O banco central voltou ainda a sublinhar que a economia teve um desempenho ligeiramente que o esperado em agosto, mas adiantou que “não é ainda clara a sustentabilidade no crescimento do PIB a médio prazo”.

“A taxa de câmbio da libra esterlina tem sido volátil e os preços do petróleo têm aumentado”, explicou, sublinhando que a inflação em agosto ficou ligeiramente acima do esperado. O índice de preços no consumidor subiu para 2,9% e o banco espera que volte a acelerar em outubro para 3%.

A libra apreciou-se face à moeda norte-americana após a divulgação do comunicado do BoE e valoriza 0,86% para 1,3325 dólares. A moeda britânica tocou máximos de um ano esta terça-feira, impulsionada pela aceleração da inflação em agosto e pela crescente expetativa que o banco central aumente as taxas de juros nos próximos meses. No entanto, a libra já desvalorizou cerca de 2% desde o início de agosto e 11% desde o referendo do Brexit, o que deverá travar o comité de fazer alterações.





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