Azeredo Lopes em Washington para reunião com a administração Trump

Ministro português da defesa vai encontrar-se com o seu homólogo James Matiis, com quem discutirá as Lages, a NATO e a presença portuguesa no Afeganistão.

O ministro português da Defesa, Azeredo Lopes, reúne-se hoje com o secretário de Estado da Defesa norte-americano, James Mattis, em Washington. Da agenda constam conversas sobre a base das Lajes, o papel de Portugal na NATO e ainda a próxima missão militar portuguesa no Afeganistão – o que quer dizer que o tema do terrorismo estará também em cima da mesa.

A questão da base das Lajes é neste momento fundamental – dado que os norte-americanos querem transformar o complexo num centro de treinos aéreos e missões de guerra antissubmarinos. Mas não só: várias personalidades da vida política norte-americana têm afirmado que a base das Lages tem grande potencial para os Estados Unidos, mas os governos não lhe têm dado o devido valor.

Prova disso reside no facto de, precisamente por estes dias, a base açoriana ter sido substancialmente usada para o apoio às aeronaves que têm prestado auxílio às populações afetadas pelo furacão Irma.

Mas o uso que os norte-americanos querem fazer da base das Lages também está circunscrito ao orçamento do Estado. Neste momento, a estrutura liderada por James Mattis tem em mãos um plano de desenvolvimento das Lages – nomeadamente em termos de infraestruturas digitais – que por certo será dado a conhecer a Azeredo Lopes.

O que é menos claro é o assunto da NATO. À última reunião geral da estrutura, ocorrida em Bruxelas há poucos meses, não correu da melhor forma, dado que o presidente norte-americano, Donald Trump, centralizou a discussão em questões orçamentais – queixando-se de que a componente europeia da NATO não se preocupa em financiar devidamente a organização – que acabaram por prevalecer face às questões estratégicas.
O objetivo dos norte-americanos parece ser o de convencer os países europeus a gastarem um pouco mais na organização – o que pode não ser fácil, dado que a Comissão Europeia está interessada em desenvolver uma forma militar conjunta à margem da NATO, tendo criado uma almofada financeira para as compras em grupo de armamento militar. Em termos gerais, os países que fazem parte da NATO gastaram no ano passado uma média de 2,42% do PIB em despesas militares – com Portugal a ficar bem abaixo dessa média (1,4%).

No que se refere à presença militar de Portugal no Afeganistão, está previsto um reforço da presença em mais 170 militares, que vão reforçar a força de reação rápida do aeroporto de Cabul e participar em missões de treino e formação das forças armadas e de segurança afegãs.

O Afeganistão é uma das frentes de batalha contra o terrorismo jihadista e os Estados Unidos estão interessados em que não seja uma zona de passagem porosa a novas ameaças.



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