InícioNotícia escrita porXavier Rodríguez-Martín, Empresário

A tecnologia nunca foi neutra, mas o facto de ter passado a ser universalmente acessível levanta questões há pouco impensáveis, como a proliferação de movimentos populistas de base digital.

Não surpreende que o Ecofin tenha proposto recentemente um novo imposto sobre as receitas digitais a favor do país em que são geradas.

Será pelo impacto no seu bolso, e não no seu cérebro, que as pessoas tratarão de pôr limites à aprendizagem das máquinas.

O ritmo da evolução tecnológica contrasta com a inércia dos poderes públicos para educar a cidadania nas consequências da exposição digital e proteger as pessoas dos riscos associados.

Achávamos que a Internet nos ia ajudar a comunicar sem limites e a fomentar o ultrapluralismo de opiniões, mas pode acabar por nos encapsular em grupúsculos de ideias fechadas.

Lembro-me de que há tempo fiquei fascinado por um artigo, julgo que do Fórum Económico Mundial, que ilustrava a relação entre a história da economia e os temas protagonistas da ficção científica, associando o humor dominante da sociedades às evoluções tecnológicas com maior impacto em cada momento.

As empresas melhor adaptadas aos desafios de cada momento serão aquelas que consigam o equilíbrio evolutivo entre as componentes digital e emocional de todas as suas actividades.

A evolução tecnológica tem sido historicamente a principal alavanca do bem-estar social, mas sempre criou vítimas circunstanciais que a sociedade tem de reconhecer e proteger.