InícioNotícia escrita porBruno Alves, Politólogo

Com mais sanções ou menos sanções, Putin já conseguiu minar a confiança dos americanos e dos europeus nos seus sistemas de governo.

As reacções gémeas da “esquerda” e da “direita” mostram como somos cada vez menos capazes de pensar criticamente sobre a realidade política, e somos os piores cegos: os que não querem ver.

Embora o “comprimido de açúcar” de Costa pareça ter sido suficiente para aumentar a sua popularidade, tal como os de Sócrates o foram no seu tempo, não será de espantar que o seu efeito junto dos eleitores se desvaneça quando a conjuntura económica piorar e as dificuldades regressarem.

Como é o Estado quem manda, quem consegue ligar para os telemóveis ministeriais sai sempre beneficiado. Mas, para desagrado dos que, como eu, defendem a privatização da CGD, o fim do banco do Estado não acabaria com a corrupção.

Em Portugal, a corrupção não é um ato ou dois que este ou aquele político ou gestor cometeu ou deixou de cometer. Em Portugal, a corrupção é o sistema sob o qual todos vivemos.

Que a RTP, paga com o dinheiro dos portugueses, seja um agente cimeiro da imerecida reabilitação de Teixeira dos Santos só piora as coisas e ajuda a explicar como o país é o que é.

A crer nas sondagens, há uma satisfação geral com a governação socialista, ou, no mínimo, uma indiferença generalizada em relação à sua inconsequência.

Os resultados de dia 23 reflectem assim, não uma “vitória” de um reformismo centrista, mas a crescente fragmentação do sistema político francês.