Autoeuropa: Sindicato exige retirada de proposta de horários para “iniciar nova negociação”

A administração aceitou reunir-se com o sindicato SITE sul a 7 de setembro. Sindicalistas aguardam nova proposta de horários para desbloquear situação que se vive na fábrica da Volkswagen em Palmela, mas sem sábados.

A administração da Autoeuropa e o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul (SITE Sul) vão reunir-se na próxima semana, na sequência de um pedido deste sindicato para um reunião enviado na sexta-feira passada.

Eduardo Florindo, responsável do SITE Sul, revelou ao Jornal Económico que “após retirada esta proposta [de trabalho obrigatório aos sábados] pode ser iniciada nova negociação”.

Segundo o sindicalista, no encontro vai ser discutida a resolução aprovada nos plenários que rejeita a proposta de o trabalho obrigatório aos sábados que levou  à greve de 24 horas na empresa com início às 23h30 de terça-feira e cuja adesão diz que “é total”.

“A administração da Autoeuropa aceitou reunir-se com o SITE Sul para ouvir o sindicato mais representativo da empresa que emitiu o pré-aviso de greve”, avançou ao Jornal Económico o sindicalista Eduardo Florindo, dando conta que os trabalhadores aguardam que seja retirada “esta proposta de horários” e que a empresa “apresente uma proposta alternativa”.

Uma eventual nova negociação não deverá, no entanto, ocorrer antes de 3 de outubro, data em que será eleita a nova comissão de trabalhadores da empresa – a única estrutura que a empresa aceita negociar ainda que se mostre disponível a ouvir as partes envolvidas no processo, onde se incluem os sindicatos.

A causa da disputa laboral é a alteração do horário de laboração. Para cumprir as metas de produção da VW para o T-Roc (200 mil unidades), a Autoeuropa terá de laborar seis dias por semana, durante dois anos. Assim, a fábrica de Palmela decidiu contratar mais colaboradores e implementar um sexto dia de produção, chegando entretanto a um pré-acordo com a Comissão de Trabalhadores sobre as compensações a atribuir aos seus colaboradores: m aumento mínimo do salário de 16%, um bónus de 175 euros, a redução do horário de trabalho para 38,2 horas e a atribuição de mais um dia de férias.

Noutro plenário, realizado no início deste mês, os trabalhadores votaram massivamente contra a proposta da administração que pretende que os operários estejam na fábrica de segunda a sábado e, em vez de gozarem duas folgas consecutivas todas as semanas, passam a ter um dia fixo de descanso, ao domingo, e outro ao longo da semana. Uma votação que acabou por levara comissão de trabalhadores a demitir-se.

Sindicatos garantem paralisação “total”, administração fala em adesão de 41%

Eduardo Florindo avançou que à semelhança do período da manhã, na tarde de ontem a fábrica de Palmela registou “uma paralisação total”. “Desde às 23h30 de terça-feira a empresa não produziu qualquer carro. Não está nenhuma área ou secção a trabalhar”, frisou.

Já a administração da empresa, avançou ao final da tarde de ontem que a greve da Autoeuropa contou com a adesão de menos de metade dos trabalhadores. Um comunicado da empresa Volkswagen Autoeuropa enviado às redações indica que 41% dos colaboradores aderiram à greve de ontem.

O SITE Sul reage: “o comunicado da empresa não merece qualquer credibilidade”, frisando que “uma empresa que produz automóveis e que durante 24 horas não produziu um único automóvel”, pelo que, conclui, “está tudo dito”.

Eduardo Florindo reafirmou, ao final da tarde de ontem, que a empresa estava “parada”. Confrontado com os números da adesão à greve que são apresentados pela administração, Eduardo Florindo deixa no ar: “não sei onde vão buscar esses números”, acrescentando que a empresa tem trabalhadores externos e contratados a prazo, a quem foi dada recentemente formação, mas ainda assim, assegura, “há alguma coisa que não bate certo, pois a fábrica continua parada”.

Segundo o comunicado da Volkswagen Autoeuropa, “a empresa continua empenhada em encontrar um compromisso”. Em comunicado, realça ainda que “apesar do impacto negativo desta paralisação, a empresa continua empenhada em encontrar um compromisso com os trabalhadores que crie, mantenha e assegure o emprego”. E acrescenta que “este compromisso deverá também garantir as encomendas dos nossos clientes para o novo modelo, que requer a laboração contínua em 18 turnos por semana”.

Para atingir este objetivo, recorda a empresa, “é essencial dar continuidade ao processo de diálogo com uma comissão de trabalhadores eleita, à semelhança das boas práticas laborais da Volkswagen Autoeuropa e do Grupo Volkswagen”.

A empresa adianta que a eleição da nova comissão de trabalhadores terá lugar no próximo dia 3 de outubro. Mas garante que “até lá, serão ouvidas as partes envolvidas neste processo”.

Sobre o impacto negativo da greve, nomeadamente um prejuízo de cinco milhões de euros na produção, avançado ontem pelo Diário de Notícias, o sindicalista reage: “a única coisa que sabemos é que a Volkswagen/Autoeuropa teve em 2016 um lucro superior a 22 milhões de euros”.





Mais notícias