Austeridade afunda economia do Egipto

Com o turismo, grande fonte de receitas para o país, afundado na sequência dos distúrbios políticos e do terrorismo, o governo virou-se para o setor energético.

Um pacote de reformas económicas impostas pelo governo egípcio liderado pelo presidente Abdul Fatah Khalil Al-Sisi com vista a introduzir austeridade no país desencadeou uma forte inflação, segundo adianta o gabinete do Estado responsável pelas estatísticas oficiais. A inflação para quase 33% em julho, depois de se terem verificado fortes aumentos dos preços devido às reformas económicas e medidas de austeridade implementadas pelo governo.

De acordo com dados do Banco Central divulgados pela comunicação social, a taxa anual de inflação atingiu 32,9% em julho, em comparação com 29,8% em junho. O banco espera que este indicador se mantenha acima dos 30% nos próximos meses.

Por seu turno, segundo a empresa Arqaam Capital Dubai, o aumento é devido principalmente ao aumento dos preços dos combustíveis. Os economistas daquela agência esperam uma inflação acima de 30% durante os próximos dois meses, devido ao aumento das tarifas de eletricidade, transporte e água – decorrentes da mexida no preço dos combustíveis.

Em junho, o governo aumentou em 55% o preço da gasolina (80 octanas e diesel, os mais utilizados). Além disso, o preço das garrafas de gás butano, usado em muitos lares, aumento para o dobro. Os preços da eletricidade cresceram mais de 40%, bem como as tarifas de transporte público e água potável.

“Espera-se que a inflação anual permaneça na faixa de 31-32% ao longo dos próximos dois meses, antes de iniciar um rápido declínio em novembro”, para estacionar nos pouco mais de 20% no final do ano, disseram os economistas da Arqaam.

As medidas de austeridade tornaram-se imperiosas depois de o país ter visto uma das suas maiores fontes de receitas, o turismo, praticamente desaparecer – na sequência dos distúrbios provocados pela ascensão e queda dos islamitas radicais no governo central e pela ocorrência de inúmeros atos terroristas. O brutal aumento dos impostos induzido pela mexida nos preços do setor energético é, neste quadro, uma forma de compensação do orçamento do Estado.

Desde então, a economia do Egipto derivou para a área de influência da Arábia Saudita – não só, aliás, em termos económicos mas também estratégicos e geopolíticos, nomeadamente com a cedência de duas ilhas estratégicas aos sauditas, facto que foi muito mal aceite pela população.

O Egipto tem tentado desbloquear as reticências do ocidente face aos últimos acontecimentos políticos internos no país. Em abril, o presidente egípcio esteve de visita à Casa Branca, na sequência da qual, o presidente norte-americano, Donald Trump, teceu rasgados elogios ao caráter à forma dura como Abdul Fatah Khalil Al-Sisi lida com toda a oposição – caráter esse que está por detrás das reticências da União Europeia face ao regime.



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