Aumento das temperaturas pode obrigar aviões a transportar menos passageiros

O estudo que aborda esta questão foi publicado depois de 40 aviões da American Airlines terem ficado em terra, nos Estados Unidos, quando os termómetros chegaram aos 48 graus celsius.

O aumento constante das temperaturas médias e extremas como resultado das mudanças climáticas vão provavelmente afetar o sistema de transporte aéreo nas próximas décadas, concluiu um estudo da Universidade de Columbia, divulgado na publicação “Climatic Change”.

À medida que a temperatura do ar aumenta, a pressão atmosférica diminuiu, provocando uma diminuição na densidade do ar. Estas alterações atmosféricas resultam numa menor capacidade de elevação das aeronaves, impondo potencialmente uma restrição no número de pessoas que podem viajar.

O estudo explica que uma aeronave com capacidade para 160 passageiros possa ter de transportar menos 12 passageiros. “O ar mais quente é mais fino, e as moléculas na atmosfera afastam-se à medida que aquecem. Assim, durante alguns momentos mais quentes, alguns modelos de avião podem precisar de largar peso – seja combustível, carga ou passageiros”, escreve o relatório.

“Os nossos resultados sugerem que a restrição de peso pode impor um custo não trivial na companhia aérea”, disse Ethan Coffel, um climatologista da Universidade de Columbia, um dos responsáveis do estudo.

É possível que o aquecimento global já tenha um efeito mensurável sobre as viagens aéreas, dizem os investigadores. Desde 1980, as temperaturas médias globais aumentaram.

Este estudo foi publicado depois de, no mês passado, 40 aviões da American Airlines não conseguirem descolar, em Phoenix, EUA, depois dos termómetros terem chegado aos 48 graus celsius.

“À medida que as temperaturas médias aumentam, as companhias aéreas podem ter de cancelar ou atrasar ainda mais voos”, acrescenta o estudo. “Isso aponta para os riscos inexplorados das alterações climáticas na aviação”, disse Radley Horton, cientista no Columbia’s Lamont-Doherty Earth Observatory.

 

 

Notícias atualizada no dia 18 de julho, com errata