Associação Mutualista lucra 587,5 milhões em 2017 e ultrapassa capitais próprios negativos de 2016

A Associação Mutualista Montepio ultrapassa a situação de capitais próprios negativos (-251 milhões de euros) apresentada nas contas consolidadas de 2016, com os números de 2017. Os capitais próprios passam para um valor positivo de 510 milhões de euros

A Associação Mutualista Montepio apurou em 2017 um resultado líquido positivo de 587,5 milhões de euros, segundo comunicado enviado ao Jornal Económico.

A entidade liderada por Tomás Correia informou que o ativo líquido teve uma variação positiva de 5,5%. As receitas associativas registaram 711 milhões de euros (um acréscimo de 234 milhões de euros face a 2016).

“O Grau de Cobertura das Responsabilidades assumidas com os associados ascende a 1,059 (acima dos 1,052 registados em 2016), estando acima dos valores médios de mercado apresentados por entidades que oferecem regimes complementares de segurança social, como as seguradoras do ramo vida”, lê-se no comunicado.

Os resultados apurados em base individual vêm elevar o capital próprio em base consolidada, passando agora para um valor positivo de 510 milhões de euros, adianta a Associação dona do Montepio.

A Associação Mutualista Montepio ultrapassa assim a situação de capitais próprios negativos (-251 milhões de euros) apresentada nas contas consolidadas de 2016.

Em 2017, a Associação Mutualista Montepio, que mantém o estatuto de IPSS, passou a estar sujeita a tributação em sede de IRC, avança ainda a Mutualista.

A Associação Mutualista Montepio “procede à criação e oferta de modalidades mutualistas, no âmbito do grupo económico Montepio Geral, as quais se assumem muitas vezes como instrumentos de poupança ou previdência comparáveis a soluções de poupança ou previdência existentes no mercado, considera-se que desenvolve, a título principal, atividades que se traduzem na realização de operações económicas de caráter empresarial”, conforme consta na resposta da Autoridade Tributária ao Pedido de Informação Vinculativa solicitado no âmbito do processo de fecho de contas. Isto é, a Mutualista explica porque está sujeita à tributação de IRC.

“Mais esclarece que em conformidade com o disposto no n.º 4 do art.º 3 do CIRC, a MGAM desenvolve, a título principal, atividades de natureza comercial, pelo que quanto à determinação da sua matéria coletável para os períodos de 2017 e seguintes, deve seguir as regras previstas na Secção II do Capítulo III do CIRC.”

Só estando sujeita a IRC pode a Mutualista beneficiar do reconhecimento dos ativos por impostos diferidos na sua demonstração de resultados.

A Associação Mutualista Montepio, “no cumprimento das normas internacionais de contabilidade”, refletiu nas suas demonstrações financeiras o apuramento de ativos por impostos diferidos no montante de 808,6 milhões de euros.

Esta possibilidade de reconhecimento de créditos fiscais ocorre depois da Associação Mutualista ter recebido luz verde da Autoridade Tributária para deixar de estar isenta do pagamento de impostos em sede de IRC, segundo informações avançadas pelo Negócios.

Essa possibilidade permite que melhorem a situação patrimonial do banco relativamente a 2017, ainda que limitando eventuais lucros futuros.

Montepio Seguros e Caixa Económica com imparidades de 233,4 milhões

“No mesmo exercício, a Associação Mutualista Montepio assumiu uma posição conservadora na avaliação dos seus ativos, reconhecendo imparidades adicionais para as suas participações na Montepio Seguros, SGPS, e na Caixa Económica Montepio Geral, no montante global de 233,4 milhões de euros”, avança o comunicado.

O número de associados, em 2017, decresceu 1,5% (uma variação de -7 mil associados, de 632 mil para 625 mil). “No entanto, as receitas associativas cresceram 234 milhões de euros, para 711 milhões de euros, fruto da dinâmica do relacionamento associativo obtido através da rede dedicada de gestores mutualistas e do contributo da rede de balcões da Caixa Económica Montepio Geral”, diz a Mutualista.

A reunião de Assembleia Geral de Associados será convocada para o próximo dia 28, onde serão apresentadas as contas consolidadas de 2016 e as contas individuais de 2017 e respetivos efeitos nos capitais próprios das contas consolidadas.

(atualizada)






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