Armamento da Coreia do Norte poderá atingir costa Oeste dos EUA em dois anos

Especialistas advertem que, se o desenvolvimento do míssil lançado a 4 de julho for bem planeado, o ‘outro lado’ dos Estados Unidos poderá ficar sob ameaça nuclear norte-coreana.

Nem advertências, nem manobras militares, nem apelos externos: a Coreia do Norte não parece ter acatado qualquer dos pedidos (dos países amigos) e exigências (dos países inimigos) para suspender os seus programas nucleares e parar com os testes. O último deles foi um dos mais belicosos: não só foi levado a cabo no dia da independência dos Estados Unidos (4 de julho), como deu a entender a todos que o país tem tecnologia capaz de alcançar os Estados Unidos.

E essa é a primeira preocupação – que colocou os peritos alerta, para poderem inferir que caminho está a Coreia do Norte a tomar. É neste quadro que um engenheiro norte-americano especializado nas questões que envolvem as Coreias, John Schilling, acaba de publicar um artigo em que adianta que, em dois anos, os norte-coreanos podem ter um míssil que consiga atingir a costa Oeste dos Estados Unidos.

O texto foi publicado no ‘site’ 38 North (o paralelo 38 é o que delimita a fronteira entre as duas Coreias) – ligado à universidade norte-americana Johns Hopkins – e nele o seu autor afirma que um engenho daquele calibre não será desenvolvido pela Coreia do Norte de imediato, mas que está perfeitamente ao alcance da tecnologia demonstrada na passada semana.

Um míssil intercontinental da Coreia do Norte poderia, “provavelmente” dentro de dois anos, transportar uma carga de 500 quilos e chegar a San Diego (Califórnia). Schilling considera que o míssil lançado a 4 de julho, um Hwasong-14, tem um alcance de sete a oito mil quilómetros, o suficiente para atingir o Alasca ou o Havaí. Mas, disse ainda, Schilling, “se o Hwasong-14 estriver a ser desenvolvido da forma que pensamos estar a ser, poderá ir um pouco mais além, quando todos os defeitos estiverem resolvidos”. Engenheiro de profissão, o autor do texto diz o míssil, quando desenvolvido, poderá atingir um alcance de 9.700 quilómetros e transportar uma ogiva nuclear até 500 quilos.

“Os norte-coreanos podem não desenvolver o projeto amanhã, mas provavelmente irão fazê-lo mais tarde”; com “um ou dois anos de testes e desenvolvimento adicional” será possível ao país transformar o Hwasong-14 “num míssil capaz de transportar de forma confiável uma ogiva nuclear até à Costa Oeste, possivelmente com uma precisão suficiente para destruir alvos militares como bases navais”.

A vontade de a Coreia do Norte possuir armamento nuclear é muito antiga – aliás, tal como a dos seus amigos chineses, que acabaram por cortar as suas relações com a antiga União Soviética em parte porque os russos, apesar das promessas, nunca consideraram seguro que Mao Tsé-Tung tivesse acesso a esse tipo de armas.

O desenvolvimento de armamento nuclear por parte da Coreia do Norte foi sempre uma das grandes preocupações do Ocidente. Mas o pai do atual líder, Kim Jong-Il, acabou por ser sensível ao processo de desanuviamento iniciado pela União Soviética nos anos 80 do século passado e meteu o projeto nuclear na gaveta – ou pelo menos investiu muito pouco no seu desenvolvimento.

Desde que chegou ao poder, o seu filho Kim Jong-Un (em finais de 2011), a Coreia do Norte acelerou consideravelmente o seu programa nuclear e de mísseis balísticos, o que voltou a preocupar o Ocidente. E o facto de o país ter realizado dois testes nucleares em 2016 e 2017 é motivo para preocupações redobradas. Até porque, dizem alguns analistas, o presidente norte-americano, Donald Trump, tem dado mostras de ser incapaz de resistir às provocações de Kim Jong-Un: a cada declaração emanada da Coreia do Norte, Trump responde num crescendo de violência (até agora apenas verbal) que retira margem à diplomacia.

Com o teste de 4 de julho aconteceu o mesmo. Com uma agravante: a Rússia e a China deram mostras de não concordar com as manobras militares conjuntas da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, organizadas como resposta ao testo do Hwasong-14, e apelaram a Trump para que seja mais cauteloso nas reações às movimentações de Kim Jong-Un.





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