Aprender conceitos na escola é uma ajuda

Entrevista a Michela Coppola, Economista sénior da Allianz Asset Management

Como alterar o baixo nível de literacia financeira?
Provavelmente, não existe uma bala de prata ou uma resposta única, ainda que apreender conceitos básicos de finanças pessoais na escola ajude. Porque não deixar os alunos praticarem as suas competências de aritmética com exemplos práticos do dia-a-dia em finanças? Afinal, as decisões financeiras são algo mais concretas do que muitos julgam. Despertar a consciência para estes temas poderia ser um primeiro passo.

Os baixos níveis de literacia financeira relacionados com o risco são eles próprios um risco?
Sim, definitivamente. Os nossos dados mostram que as pessoas com menor entendimento do risco são as mais propensas a escolher os tipos “errados” de risco, afastando riscos moderados numa situação em que seria mais importante, mas de seguida escolhendo produtos financeiros arriscados numa situação em que seria totalmente imprudente fazê-lo. Isso parece-me muito perigoso!

O que as autoridades e os reguladores financeiros podem fazer para minorar este risco?
Os reguladores já ajudam os consumidores, definindo regras para prevenir fraudes e manter alta a qualidade do aconselhamento. Mas isso é apenas um dos lados da moeda. Por outro lado, os consumidores precisam de ter ferramentas para compreender e tomar decisões informadas eles próprios. É sempre arriscado delegar completamente as nossas próprias escolhas em outras pessoas.

Como se compara a Europa face ao resto do mundo?
No que respeita à Europa, em média, encontra-se no mesmo nível dos EUA, por exemplo. Segundo um dos mais recentes estudos, nos EUA cerca de 46% compreendem o conceito de diversificação de risco. Na Europa, a proporção é de 49%, um pouco melhor, mas mesmo assim muito baixa.



Mais notícias