Ana Paula Vitorino: “Portugal pode ser o 9º país com maior plataforma”

Ana Paula Vitorino defende a liderança de Portugal no setor da nova ‘economia do mar’.

“Portugal pode vir a ser o 3º maior país da União Europeia e o 9º país do Mundo”, sublinha , em declarações ao Jornal Económico, Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, a propósito do complexo processo negocial em curso nas Nações Unidas para extensão da plataforma continental nacional numa vasta extensão do Atlântico Norte. “Na Europa, só a a França e o Reino Unido ficariam à nossa frente”, observa a ministra do Mar, para sublinhar a relevância e a responsabilidade que Portugal deverá assumir nesta matéria da economia do mar.

A propósito da realização em Portugal do ‘Oceans Meeting’, na Fundação Champalimaud, em Lisboa (hoje é o último dia do evento), Ana Paula Vitorino relembra que,  ligada à temática da nova economia do mar, está “uma questão muito importante, que é a questão da liderança”.

“Não uma liderança unicéfala a nível internacional, mas uma forma de nos posicionarmos como um dos países que permitem novas abordagens para aproveitar e preservar os recursos do mar. É uma estratégia fundamental. Esta conferência ‘Oceans Meeting’ é como se estivéssemos em destaque e a dar um palco para Portugal como País, para os portugueses, para os seus empresários e para os seus trabalhadores. É uma forma de aumentar a visibilidade e de dar a conhecer as nossas políticas, porque queremos manter-nos na primeira linha das políticas de preservação sustentável do mar e publicitar as empresas, organizações e instituições que estão a fazer a nova economia azul aqui”, defende Ana Paula Vitorino.

A governante assume que “queremos ser líderes na utilização de biorecursos, no desenvolvimento e utilizações tecnológicas com esse fim” e acrescenta que, com o nível recorde de presenças confirmadas no ‘Oceans Meeting’ este ano, “esta já é uma conquista por termos conseguido trazer mais países para o cluster da sustentabilidade em matéria de oceano”.
Ao longo de dois dias, estiveram presentes neste evento mais de 70 delegações internacionais de vários continentes, “muito mais delegações que nas anteriores edições”, segundo a ministra do Mar.

Da Nicarágua até à Geórgia, de Kiribati a Singapura, do Togo ao Núncio Apostólico, confirmou-se a presença de pares mediáticos a nível internacional, muitas vezes não pelas melhores razões, mas que desta vez tentaram encontrar soluções globais para a sustentabilidade do oceano, como foram os casos de Israel e Palestina, Índia e Paquistão, e Arábia Saudita e Qatar, algumas delas ao mais alto nível.

Ana Paula Vitorino destacou ainda que, além dos encontros bilaterais e diversas iniciativas empresariais do sector na nova economia do Mar (B2B), está prevista a assinatura de uma declaração conjunta das diversas representações oficiais obrigando-se a respeitar 24 compromissos, além de uma conferência internacional prevista para hoje, sobre três áreas específicas: investigação de saúde Vs. Oceano, diversas atividades da nova economia do Mar, e como se processa o respetivo financiamento.
“O grande problema do financiamento da ‘economia azul’, da nova economia do mar, é o risco, que obrigaria à aplicação de taxas de juro descomunais. Por isso, nesta conferência pretende-se tornar visíveis as atividades e a sua capacidade de retorno. E vão estar presentes responsáveis de diversos bancos e instituições financeiras estrangeiras”, revelou Ana Paula Vitorino.

Artigo publicado na edição digital do Jornal Económico. Assine aqui para ter acesso aos nossos conteúdos em primeira mão.



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