Ameaça de greve regressa ao porto de Lisboa

Estivadores querem paralisar três semanas a partir de 30 de maio, em solidariedade com a greve dos seus congéneres espanhóis.

A ameaça de greve regressou ao porto de Lisboa, mas desta vez deverá abranger também os portos de Setúbal, Sines, Figueira da Foz, Leixões, Caniçal (Madeira) e Praia da Vitória (Açores), caso o pré-aviso seja concretizado em paralisação real.

O pré-aviso de greve do SEAL – Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística, a que o Jornal Económico teve acesso, incide entre as oito horas do próximo dia 30 de maio e as oito horas de 19 de junho, um total de três semanas completas.

A razão invocada pelo SEAL para a realização desta greve é um ato de solidariedade à greve que os estivadores espanhóis declararam para o mesmo período nos portos espanhóis.

Esta atitude foi já hoje alvo de um comunicado da Agepor – Associação dos Agentes de Navegação de Portugal, em que “lamenta e repudia” o referido pré-aviso de greve.

“O desagrado da Agepor é tanto maior quando durante as greves que assolaram o porto de Lisboa ninguém viu ser tomada posição equivalente pelos estivadores espanhóis. Ao invés, a Agepor lembra que os portos espanhóis beneficiaram dos navios desviados de Portugal”, critica o referido comunicado.

No entanto, a Agepor tem expetativas de que “o pré-aviso de greve do SEAL não se materialize em greve efetiva”, mas lamenta que estas decisões passem “o sinal errado para o exterior, que em nada abonam a confiança num novo clima de paz laboral duradoura nos portos portugueses”.

Recorde-se que ainda na edição de hoje do suplemento do Jornal Económico, “Especial Transportes e Logística”, Rui Raposo, presidente da CPL – Comunidade Portuária de Lisboa, dizia, em entrevista, que o porto de Lisboa “está no caminho da recuperação”, mas alertava: “é vital que nada, mas mesmo nada, possa vir a prejudicar a imagem do porto de Lisboa nos tempos mais próximos”.

Segundo o Jornal Económico apurou junto de diversas fontes do setor, se o pré-aviso de greve se mantiver, será pouco provável que a paralisação tenha expressão nos portos de Sines e de Leixões, os dois mais importantes de Portugal.



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