Álvaro Santos Pereira, seis longos anos depois do pastel de nata

Quando Álvaro Santos Pereira invocou o pastel de nata pretendendo significar um produto nacional que poderia merecer uma aposta de muitos empreendedores, isso fazia todo o sentido. Afinal, estávamos ali - ele que falava, nós que o ouvíamos - na Conferência "Made in Portugal', fez há pouco seis anos.

A ideia era exaltar o produto nacional, dos vinhos ao azeite, da tecnologia aos desportos náuticos – e a tese era de que Portugal estava a falhar na estratégia de internacionalização do seus produtos, o que tinha de ser alterado.

Álvaro podia ter falado na francesinha, podia ter escolhido os bolos de amêndoa. Para o caso seria o mesmo. E para o que se seguiria politicamente também. O rosto de Carlos Zorrinho, então líder parlamentar do PS, sentado a meu lado, abrira-se de imediato num sorriso de quem tinha ganho o dia. Pouco passavam das 11 da manhã. Depois das 15, no Parlamento, discursos proferidos, estava realizado o baptizado: o ministro da economia passava a ministro dos pastéis de nata. Resta acrescentar que até grande parte do PSD, que nessa legislatura não descansou enquanto não despachou os ministros ditos independentes, ou seja, sem cartão laranja, rejubilou e juntou-se à festa. O Portugal dos pequeninos atirava os foguetes e apanhava as canas.

Não relembro isto apenas por a OCDE ter acabado de nomear o nosso Álvaro como economista chefe. Não!, isso já tem sido celebrado pelos jogadores do totobola à segunda-feira. Quero apenas juntar uma outra evidência: tanto em Portugal como no mundo, floresceu o negócio dos pastéis de nata! Quer isto dizer que enquanto o País dos media levava e trazia, o País real tomou a devida nota do essencial. Isso é que interessa.




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