Alto Tâmega: Construção das barragens vai afetar cerca de 50 casas

A construção das três barragens do Alto Tâmega vai afetar cerca de 50 casas e obrigar à transladação de duas pontes de arame, segundo informou hoje a concessionária Iberdrola.

Foto cedida

Sara Hoya, responsável ambiental da Iberdrola, disse aos jornalistas que o empreendimento vai afetar cerca de 50 casas e adiantou que, até ao momento, seis famílias já saíram das suas habitações por razões de segurança devido à proximidade à frente de obra em Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar.

O concelho mais afetado é Ribeira de Pena, que concentra cerca de 90% das habitações de onde as famílias terão de sair até ao final da construção do Sistema Eletroprodutor do Tâmega.

Neste concelho também a emblemática ponte de arame sobre o rio Tâmega vai ter de ser removida e recolocada em outro lugar.

Esta ponte de arame foi, até 1963, a única travessia entre as aldeias de Salvador e Santo Aleixo e é hoje uma importante atração turística. Tem mais de 20 metros de comprimento e está suspensa em mais de 100 cabos de arame torcido.

Segundo Sara Hoya, esta estrutura será recolocada num dos braços que vai ter a albufeira, perto do local onde se encontra atualmente.

Na mesma situação está uma outra ponte de arame que liga as aldeias de Monteiros, em Vila Pouca de Aguiar, e Veral, em Boticas, a qual vai ser atingida pela subida das águas e vai ser transladada.

Em Vila Pouca de Aguiar, arqueólogos estudaram e descobriram pinturas antigas num dos dólmenes da Chã das Arcas, uma descoberta que levou à remoção de peças do monumento desta área que ficará submersa pela barragem de Gouvães.

A Iberdrola está obrigada à concretização de medidas de minimização dos impactos e a uma monitorização constante da área afetada pelo empreendimento e, por isso, pelo terreno espalharam-se equipas de 17 arqueólogos e 30 biólogos, entre outros técnicos.

As medidas de compensação incluem ainda manutenções florestais e a reflorestação com cerca de 250.000 plantas.

A responsável falava à margem da apresentação do Plano de Ação Socioeconómico, assinado com as sete câmaras envolvidas nos projetos, que destina cerca de 50 milhões de euros para o desenvolvimento económico, social e cultural da região onde estão a ser construídas as barragens.

O empreendimento está a ser muito contestado pelos movimentos ambientalistas.

“A Iberdrola está a cumprir o estabelecido. É um projeto muito grande, que tem uma grande área de abrangência e é normal que tenha impactos ambientais, mas nós estamos a tentar minimizar da melhor forma possível, a tentar compensar”, sublinhou Sara Hoya.

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega é um dos maiores projetos hidroelétricos realizados na Europa nos últimos 25 anos, contemplando a construção de três barragens (Daivões, Gouvães e Alto Tâmega), 1.500 milhões de euros de investimento e a criação de 13.500 empregos diretos e indireto durante o período de maior volume dos trabalhos (2018-2020).



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