Altice/Media Capital. Fusão vai passar pela imposição de remédios pela concorrência, diz Marques Mendes

No seu comentário de domingo, na SIC, o comentador também defendeu que o MNE Augusto Santos Silva foi o único ganhador da remodelação de secretários de Estado.

A compra da Media Capital, dona da TVI, pela francesa Altice, detentora da operadora PT, anunciada esta semana, é uma revolução na comunicação social e no mercado das telecomunicações. “A Altice passa a ter um poder em Portugal como nunca antes aconteceu”, afirmou, Marques Mendes esta noite no seu comentário na SIC.

A decisão está agora nas mãos das entidades reguladoras. Marques Mendes acredita que a operação vai ser aprovada, mas não tal como foi acordada entre a Altice e a vendedora, a espanhola Prisa. O mais provável é que se imponham restrições para impedir que se venha a verificar uma posição dominante. A este propósito, de resto, Marques Mendes trouxe à liça o Presidente da República, que ao receber, esta semana, por um lado, o Presidente da Altice, e, pelo outro, o Presidente da Impresa, dona da SIC,concorrente da TVI, “deu um sinal de equilíbrio, não de hegemonia”.

Outros temas foram abordados entre Marques Mendes e a jornalista Clara de Sousa.  O primeiro respeitou às recentes declarações do Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general Pina Monteiro, que quantificou o material roubado do paiol de Tancos em 34 mil euros. Marques Mendes considerou-as  uma tentativa para desvalorizar o que aconteceu. “Os militares tentaram ser simpáticos com o Governo”, vincou, concluindo que não estiveram bem. Porque a instituição militar é do Estado e tem que manter a sua independência e a sua autoridade.

De igual modo foi crítico com o silêncio da ministra da administração interna, Constança Urbano de Sousa no caso da investigação de um grupo de agentes da PSP de Alfragide, acusados de tortura e de atitudes com base no ódio. Aplaudiu a investigação, inédita, que classificou de corajosa – “temos que conhecer a verdade mesmo que esta seja cruel”. Mas considerou que perante uma situação desta natureza, a ministra “deveria ter aparecido”, para dizer algo como ‘faça-se justiça em relação aos que prevaricaram’. Mas também para erguer a voz e dizer que “a PSP, no seu conjunto, não são prevaricadores. “É a prova de que não há ministra”, salientou.

No que respeita à mini-remodelação de secretários de Estado, ocorrida nesta última semana, considerou que o único que sai reforçado é o ministro dos Negócios Estrangeiros. Augusto Santos Silva ganha com a saída de Margarida Marques, uma histórica do PS, amiga pessoal de António Costa e muito competente em matéria de assuntos europeus, que não se percebeu bem ainda porque saiu. É como se os Assuntos Europeus regressassem à pasta dos Negócios Estrangeiros, pois, na prática, Margarida Marques funcionava como ministra, vincou.

Aliás, Augusto Santos Silva destacou-se igualmente nestes dias ao dar a cara nestas crise que assaltaram o Governo. Ele e Pedro Nuno Santos, a que se junta um terceiro ministro: Pedro Marques, uma pessoa de “qualidade” e com “ambições” que poderá emergir como uma espécie de Fontes Pereira de Melo na reconstrução das áreas ardidas de Pedrogão Grande.

O debate do estado da Nação foi de “uma pobreza franciscana”, evidenciou. Não tanto por mérito de António Costa, mas por demérito da oposição. Dele há a retirar três conclusões:

  1. O Governo passou incólume, no pior momento da sua vida;
  2. A oposição não foi capaz de dificultar-lhe a vida;
  3. A coligação que apoia o Governo – PCP e Bloco de Esquerda está de pedra e cal.    

“Se a oposição não conseguiu capitalizar este momento em que o Governo e António Costa tiveram desgastes tão significativos, quando vão capitalizar? Em tempo de eleições autárquicas que não lhes são favoráveis ou quando a economia estiver a crescer ainda mais?!…

Luís Montenegro despediu-se da liderança da bancada parlamentar do PSD com um estatuto que lhe “permite ser candidato no futuro a líder do PSD”. Não no curto prazo, onde se prefiguram dois, a três nomes – Pedro Passos Coelho, que vai recandidatar-se, Rui Rio, dado como certo e sabido e provavelmente também Paulo Rangel. A médio prazo, já no pós Pedro Passos Coelho há dois nomes que poderão emergir: justamente Luís Montenegro e Carlos Moedas, no regresso do seu consulado em Bruxelas.





Mais notícias